sexta-feira, 25 de setembro de 2015

[Off-topic] Orgulho em pagar salários

Há uns dias um certo patrão da indústria, com interesses em Portugal, afirmou numa conferência de imprensa que não gosta de pagar salários.

Para o caso de esta notícia vir mais tarde a desaparecer por ordem de um tribunal europeu qualquer, aqui está um extracto:
Patrick Drahi confessou que não gosta "de pagar salários". (...) Numa conferência realizada na última quinta-feira à noite, depois de terem anunciado a compra da operadora norte-americana Cablevision, o presidente da Altice confessou: "Eu não gosto de pagar salários. Pago o mínimo que puder", acrescentou.

Parece que é moda ser um patrão do século XIX. Nos últimos tempos há um crescente número de empresários que não se embaraça de vir a público dizer que não gosta de ter que preocupar com o pessoal que trabalha nas suas empresas.



No caso do chefe da Altice, é mais estranho ainda. Toda a gente sabe que há uma enorme dificuldade em contratar técnicos talentosos na área das TIC. No entanto, Patrick não está nada preocupado com isso, a ponto de fazer declarações destas em público, arriscando-se a antagonizar os empregados das suas empresas pelo mundo fora.

Suspeito que haverá muitos empresários por aí que gostariam de ter a lata de fazer o mesmo género de afirmações, e até conheço alguns. Esses vão-se fartar de rir deste post, mas para eu me importar com isso era preciso que respeitasse as suas opiniões.

Na verdade, uma das coisas que me dá mais prazer e orgulho em ser empresário é assinar a transferência dos salários da nossa equipa todos os meses.

Gosto de pagar salários por razões várias, mas posso destacar uma ou duas. Ser sócio de uma empresa é uma forma de exercer uma liberdade profissional difícil de atingir quando se é apenas empregado. Constituir uma equipa e conseguir, mês após mês, que essa equipa possa usufruir também da existência do nosso projecto empresarial, dá-nos uma satisfação que vai bastante para além daquilo que seria de esperar numa carreira "apenas" informática.

É possível que essa seja uma das principais razões para que, em termos empresariais , o Patrick esteja na Liga dos Campeões e e a nossa equipa jogue apenas no campeonato nacional com umas idas pontuais à UEFA. Mas ao menos não tivemos que vender a alma ao diabo.

Os Ebenezer Scrooge deste mundo ganham muito dinheiro e não gostam de partilhar. Acham-se melhores que todos os outros. Isso de pagar salários será, portanto, uma aberração. Triste será o mundo deles. Como sociedade, podemos responder-lhes simplesmente: Been There, Done That :-p


quarta-feira, 14 de maio de 2014

Matar o mensageiro

Um tribunal europeu condenou a Google a fazer desaparecer das suas pesquisas os resultados "prejudiciais" para um certo indivíduo espanhol.

Isto está errado, por diversas razões:

1. A Google não é responsável pelos conteúdos, é apenas o indexador que permite a pesquisa. Será que vamos condenar por pedofilia os bibliotecários que mantenham clássicos gregos nas suas bibliotecas?

2. A decisão é impraticável sem arriscar a enormes prejuízos para a liberdade de expressão. A coisa já foi tentada no Youtube, com péssimos resultados. Uma qualquer distribuidora de música ou filmes pode deitar abaixo um filme caseiro ao afirmar, sem qualquer verificação independente, que uma publicação viola direitos de cópia.

3. Sabiam que há dezenas de motores de pesquisa para além do Google?

Notícia: http://www.theguardian.com/technology/2014/may/13/right-to-be-forgotten-have-you-ever-wanted-something-deleted-from-the-web-google

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Informação falsa e propósito danoso



Que outra designação se pode dar a isto? Este tempo de espera é inútil e é introduzido apenas para convencer o utilizador a comprar algo de que não necessita.

Mais um post facilitado pela falta de ética de uma empresa que explora uma plataforma electrónica de compras contratada pelo Estado.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Clueless!

Nem de propósito. Depois de escrever mais um post sobre os abusos das operadoras de plataformas electrónicas de compras fui obrigado a usar uma que nunca tinha usado, mas já tinha ouvido falar.

A coisa começou mal. O sistema para me autenticar, começa por me pedir para correr um applet não assinado e mal construído, o que é uma má prática que a Java Virtual Machine avisa que não será tolerada por muito mais tempo.



Quando eu, relutantemente, dou permissão ao applet para correr, a primeira coisa que ele faz é perguntar-me em que sistema está. O quê?!? Que programadores são estes que nem sequer são capazes de identificar o sistema operativo em que o software está a correr?



Mais adiante, mais problemas. Quando se usa um smartcard (cartão do cidadão ou outro) para assinar documentos, temos que escolher uma opção de um menu. Mas em vez de se escolher a opção óbvia - "smartcard" - temos que escolher a opção errada: "Ficheiro".

Finalmente, se não temos o tipo de certificado que o software quer (mas não diz em lado nenhum qual é) o processo de envio e assinatura de ficheiros termina uma simples mensagem de "Erro", sem dizer mais nada.

Este site é uma vergonha para a nossa profissão.

Curiosamente, esta má qualidade até é benéfica para a operadora da plataforma. O utilizador incauto sentirá necessidade de ligar para o help-desk, onde alguém muito simpático confirmará o erro e informará que mais do que isso não pode fazer se o desgraçado não largar alguns euros a comprar pacotes de serviço de helpdesk. Desesperado para enviar a tal proposta que o vai pode ajudar a aguentar a crise durante mais umas semanas, o fornecedor do Estado ficará tentado a ceder a este esquema imoral de ganhar dinheiro.

Será de propósito? Só eles poderão dizer. Mas que parece... parece!

"Legacy systems" do futuro próximo

Ao ver ontem na TV o anúncio do novo tablet Magalhães com Android fiquei admirado pelo forte "endorsement" que a Intel lhe faz, Não admira, já que a Intel anda há uns tempos a tentar entrar no mundo da mobilidade. Mas mesmo assim é surpreendente, ver a Intel sozinha num sistema de grande divulgação, descolando-se da sua eterna parceira Microsoft.

Apercebi-me que já não falta muito para que os departamentos de TI se tenham que preocupar com outro tipo de "legacy systems". Desta vez os que são baseados em Windows.


sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Abusos das plataformas electrónicas de compras: um sinal do Estado

Finalmente, passados vários anos, o Estado começa a acordar para os abusos praticados pelas empresas gestoras das plataformas electrónicas de compras. Aqui no Bitites já se falou disso há quase 4 anos. Mais vale tarde do que nunca.

As plataformas electrónicas de compras, tornadas obrigatórias há uns anos, são geridas por um grupo muito pequeno de empresas. As entidades do Estado têm que seleccionar uma delas, colocando aí os seus concursos públicos, e todos os seus fornecedores têm que apresentar as suas propostas também nessas plataformas.

Ora, estas empresas gestoras das plataformas, numa lógica de oligopólio, têm vindo a exigir aos fornecedores do Estado que paguem um número crescente de serviços que deviam ser gratuitos por lei. Serviços como os selos temporais e o apoio telefónico, por exemplo. Algumas destas empresas, apresentam aos fornecedores interfaces confusos e difíceis de usar, que acabam por obrigar o utilizador a recorrer ao help-desk pago durante horas a fio, e depois pressionam-no para comprar "cursos de formação". Os fornecedores do Estado não têm alternativa. O seu cliente escolheu uma plataforma e obriga-o a usá-la. Com esta vantagem, várias plataformas são usadas como forma de extorsão, com a desculpa de "facilitar o acesso" ou "prestar apoio".

Num comunicado do passado dia 8, o INCI afirma finalmente uma posição crítica sobre estas matérias.

Diz o INCI:
"Têm sido comunicadas a este Instituto inúmeras situações praticadas por empresas gestoras de plataformas eletrónicas de contratação pública contrariando a lei, nomeadamente o artigo 5.º, nº 4 do Decreto-Lei nº 143-A/2008, de 25 de julho, segundo o qual «A entidade gestora da plataforma eletrónica não pode cobrar aos interessados, candidatos e concorrentes, qualquer quantia pelo acesso ao sistema de contratação eletrónico disponibilizado na plataforma eletrónica e para a utilização das funcionalidades estritamente necessárias à realização de um procedimento de formação de um contrato público total e completo».
É o caso da cobrança de selos temporais às empresas candidatas ou concorrentes em procedimentos aquisitivos públicos."
Para cúmulo, como refere o INCI, as empresas gestoras não se satisfazem em exigir que os fornecedores do Estado comprem selos temporais. Exigem que esses selos lhes sejam comprados directamente. E mais: mesmo que o fornecedor só precise de responder a um concurso, é obrigado que comprar uma quantidade mínima de selos, obrigando a um investimento de centenas de euros para responder a um simples concurso. Selos que, se não forem usados dentro de um prazo de alguns meses, perderão validade sem direito a reembolso por não utilização.

Em face destas práticas, o INCI afirma, preto no branco, que é ilegal a cobrança de:
"a) Selos temporais;
 b) Serviços de suporte técnico (help desk);
 c) Aquisição de pacotes de acesso à plataforma sempre que os utilizadores pretendam aceder à mesma em mais do que um terminal;
 d) Serviços de “sms”, pretensamente obrigatórios, e necessários à apresentação de propostas/candidaturas."
Esperemos que este seja um primeiro passo para que esta questão possa ser tratada com justiça e que não estejamos - Estado e seus fornecedores - a pagar duas vezes o mesmo serviço.

O ideal mesmo era que fosse estabelecido um standard aberto de comunicação com as plataformas de forma electrónica. Isso permitiria que outros interessados produzissem interfaces para os fornecedores do Estado e que estes pudessem passar a escolher o software que usam.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

"Working hard to restore your access. Please try in a few hours"

É impressão minha ou os sistemas da Google estão a dar cada vez mais problemas?

Será que o excesso de complexidade está a cobrar a sua taxa? Ou será o pessoal a descansar à sombra da bananeira?



terça-feira, 1 de outubro de 2013

No poupar é que está o custo

Imaginem uma grande empresa. Tipo: 2.000 empregados. Essa empresa é gerida com punho de ferro por financeiros formados nas melhores universidades. Boa parte deles terá até MBAs tirados no estrangeiro. É uma empresa de serviços, de modo que praticamente todos os seus funcionários usam computadores. São os chamados "trabalhadores do conhecimento".



Nos últimos anos, à conta da crise, a empresa decidiu adiar os investimentos em equipamento informático. Para quê? Os computadores são todos iguais e comprar PCs novos para todo o pessoal é um desperdício. Não é?

Bom, imaginemos um empregado médio, com um salário médio de 1.000 euros por mês (estamos em crise, o pessoal já não ganha o mesmo que antes). Utiliza o software criado pelo departamento de TI, que evolui todos os dias e necessita de cada vez mais recursos. As actualizações dos softwares de produtividade também exigem cada vez mais recursos dos PCs. Já há muito tempo que os os 2GB de RAM são insuficientes, e o PC utiliza frequentemente o disco rígido como extensão à memória do computador, tornando-se 5-10 vezes mais lento.

E agora vamos fazer umas contas.

O custo anual desse empregado, incluindo segurança social, seguros, doenças, formação, férias, subsídios de férias e natal, instalações, etc., fica, por alto, em 2.000 euros/mês.

Se, por causa de um PC lento, um empregado gasta 1 minuto a fazer uma tarefa que normalente levaria 30 segundos, isso custa dinheiro. Se essa pessoa necessitar normalmente do computador para metade do seu trabalho, isto significa essas tarefas lhe passam a ocupar o dobro do tempo. Isto é: o trabalho com o computador deixa de ocupar metade e passa a ocupar 2/3 do tempo da pessoa (porque as restantes tarefas continuam a demorar o mesmo). Quanto é que isto custa? Se antes o trabalho com computador custava 1.000 euros/mês, passou a custar 1.333 euros/mês.



Portanto, a decisão de não investir em equipamento informático causa à empresa um prejuízo 333 euros/mês para este empregado típico. Deixo para exercício dos leitores o cálculo do prejuízo para um informático que ganhe 2.000 euros/mês e passe todo o seu tempo a trabalhar no computador.

E quanto custaria resolver este problema? Um computador pessoal razoável, hoje em dia, custa uns 750 euros.

O retorno do investimento seria conseguido ao fim de dois meses e pouco, para o empregado do nosso exemplo.A partir daí, durante um ou dois anos, seria só poupança de custos. Que tal, senhores financeiros? Continuam a pensar que é boa política cortar nos investimentos em ferramentas de trabalho para os trabalhadores do conhecimento?



Nota: 
Peço antecipadamente desculpa pela generalização em relação aos financeiros das empresas, que fazem um trabalho importante e absolutamente necessário. Mas a verdade é se tem vindo a observar, nos meios da gestão empresarial, uma crescente cegueira em relação aos problemas da produtividade do pessoal, que levam a cortes no investimento que só afundam ainda mais as empresas. Se este post ajudar a mudar algumas destas políticas já serviu o seu objectivo.

Editado posteriormente: clarificação e correcção de valores de poupança.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Como usar Alfresco com LibreOffice 4 via CMIS


Uma das maiores mudanças no mundo da gestão documental, nos últimos tempos, foi a criação de um standard de interoperabilidade - o CMIS.

Este standard homogeneíza o interface dos sistemas de gestão de conteúdos através da definição de uma série de webservices que todos os produtos devem implementar.

Muito inspirado no Sharepoint Protocol, tornado público por pressão da União Europeia sobre a Microsoft, o CMIS é, hoje em dia implementado por praticamente todos os produtos avançados de gestão de conteúdos.

A release 4 do LibreOffice permite, a partir de agora, usar um qualquer repositório documental CMIS para a gestão avançada de documentos.

As imagens seguintes mostram como se pode usar o LibreOffice 4 com um repositório Alfresco através dos serviços CMIS.

1. Activar as caixas de diálogo LO4 em vez das nativas, para a abertura de ficheiros

Isto é necessário para se poder aceder a localizações CMIS, normalmente não suportadas pelo sistema operativo.



2. Ao "Abrir" o ficheiro, usar o botão "..." para definir uma nova localização CMIS


3. Preencher os dados do servidor/serviço CMIS


4. Navegar no repositório e abrir o ficheiro pretendido



Os repositórios CMIS podem ser usados, assim, como se fossem pastas normais. No entanto, o LibreOffice sabe que o CMIS tem funcionalidades adicionais, pelo que permite, por exemplo, fazer check-out/check-in dos documentos e manipular as suas versões.



segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Libre Office 4 disponível para download

Já saiu o LibreOffice 4 - "A suite de escritório livre que a comunidade sonha há doze anos".

Não percam tempo. Agarrem já a vossa cópia antes que esgote. E não se esqueçam de mandar uma doação, por pequena que seja. O mundo precisa de projectos assim.


Provavelmente uma das maiores novidades do LO4 é a integração com servidores que suportam CMIS. Com esta funcionalidade o LO4 passa a concorrer directamente com a integração do MS-Office com Sharepoint, com a vantagem de poder usar uma grande variedade de servidores de gestão de conteúdos, como o Alfresco, o Nuxeo ou mesmo o Sharepoint.

Outro dos destaques nas novidades do LO4 é a possibilidade de usar o sistema de temas do Firefox para mudar o aspecto das aplicações. Mariquices, dirão alguns. Mas assim se ganham utilizadores menos tecnófilos.

Muito importante também é a possibilidade de editar documentos do Visio e do Publisher, que muita falta fazia. A interoperabilidade com ficheiros RTF e DOCX foi também substancialmente melhorada.

Uma lista de melhorias e mudanças pode ser encontrada aqui.

Para terminar, que tal usar o seu telefone Android como controlo remoto das apresentações Impress, com o "Impress Remote"?





segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

JavaBlackBelt: um exemplo de porquê não confiar na "cloud"

John Rizzo, criador do JavaBlackbelt, enviou um e-mail a anunciar o fim definitivo deste serviço alojado na cloud.

O JavaBlackBelt foi durante vários anos uma pedrada no charco da formação profissional, apresentando um modelo inovador de certificação de competências que se baseava na construção colaborativa de cursos e exames e na certificação online. Tendo começado pelo mundo da programação em Java, o modelo tinha sido recentemente alargado a outras áreas de conhecimento. Estava a ser tão bem sucedido que uma companhia designada Skillsoft acabou por comprar os direitos e fechar o serviço.

No JavaBlackBelt, cada novo membro começava com zero knowledge points e zero contribution points. "Knowledge points" eram ganhos passando nos exames. "Contribution points" podiam ser ganhos de várias formas, contribuindo para a comunidade com novas questões ou criando objectivos para exames a criar. Em função do seu progresso, o membro era recompensado com um "cinturão", à semelhança das artes marciais (branco, amarelo, laranja, verde, azul, castanho, negro). [paragrágrafo adap. wikipedia]

Este é um exemplo de um dos maiores perigos da cloud: a dependência do fornecedor. A cloud é o regresso do modelo do software proprietário, mas em dobro: não só não temos acesso ao nosso software como também não temos acesso aos nossos dados nem à infraestrutura em que a solução corre. De um momento para o outro, com este caso exemplifica de forma clamorosa, tudo desaparece.







sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Portal do Cidadão: assim não vamos lá



Se é dos cortes nos orçamentos, dos testes inadequados ou da recusa em contratar quem sabe... não sei.

Mas assim não vamos lá.