terça-feira, 21 de agosto de 2007

Mulheres e Tecnologia

Navegando descuidadamente pela blogosfera nacional fui parar ao Interno Feminino, um blogue que entrou há pouco tempo para o Planet Geek. Confesso que a guerra dos sexos é um assunto que já me vai aborrecendo um bocadinho (coisas da PDI), mas as raparigas que lá escrevem também fazem posts com piada sobre outros temas, entre os quais "tecnologia".

Um post que achei interessante foi aquele sobre "Mulheres e Tecnologia". Aí é defendida a teoria de que, se as mulheres se dão menos bem com computadores e outras máquinas, é mais por uma questão de educação do que de genética.

Ora aí está uma opinião com que eu concordo. Genericamente, claro, porque há muitos homens que não se entendem sequer com uma chave de parafusos e muitas mulheres que são perfeitamente capazes de programar computadores com linguagens obscuras.

Temos que admitir que continua a haver uma educação bastante diferenciada entre rapazes e raparigas. O resultado é que acabamos por ter duas culturas, a masculina e a feminina, e isso tem, necessariamente, um impacto nas competências adquiridas e nas profissões que são mais tarde escolhidas.

Sinceramente acho uma pena que as meninas não sejam incentivadas a desfrutar do prazer de construir Lego Mechanic. E também é uma pena que os rapazes sejam desde cedo afastados das responsabilidades de tratar dos mais novos, por exemplo. Quantas boas engenheiras não terá a nossa sociedade perdido por causa desta deficiência cultural? E quantos bons professores primários (essa espécie em vias de extinção)?

No mês de Julho, mais de 38.000 desempregados tinham curso superior. Quase de 10% do total. Vale uma aposta em como a grande maioria eram de cursos não tecnológicos? Sabendo que as mulheres são cerca de 60% dos desempregados, não estariam elas bastante melhor colocadas no mercado de trabalho se tivessem optado por cursos ligados às tecnologias?

Que soluções há para este desequilíbrio? Pelo que se vai observando, não será fácil, mas aqui ficam algumas ideias.
  • Os pais, sendo a principal influência nos primeiros anos de vida, devem ter consciência dos preconceitos associados à sua cultura. O melhor que podem fazer é observar o seu próprio comportamento de forma crítica e alterá-lo. Embora a maioria das pessoas, hoje em dia, não queira influenciar os filhos num ou noutro sentido, a verdade é que o fazem, muitas vezes sem se aperceberem. Em contrapartida, podem tentar estimular o gosto pelas ciências e pelas tecnologias nos filhos, independentemente do seu género.
  • Os amigos e a família podem ajudar à criação de um ambiente em que as crianças de ambos os sexos sejam incentivadas a desenvolver todo o seu potencial, não limitando as actividades nem a mentalidade de rapazes ou raparigas.
  • Os professores, como principais responsáveis pela passagem de conhecimento às crianças, podem fazer um esforço consciente por contrariar as influências mais negativas da nossa cultura
  • As empresas têm muito a ganhar se optarem por seleccionar e remunerar o seu pessoal em função da sua competência e produtividade, sem olhar ao género, tendo consciência que a diversidade é um factor fundamental para o sucesso de longo prazo.
Voltando ao post que deu origem a esta divagação, só não concordo com o tom derrotista. Sim, este é um problema sociológico, mas é preciso lembrar também às mulheres que, a partir de certa altura, elas mesmas são responsáveis pela sua formação. É tempo de se rebelarem contra as pressões das tias, das avós, das amigas e dos amigos e decidirem o que é bom para elas.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Hacking Democracy: um documentário sobre a prática das votações electrónicas nos EUA

O documentário "Hacking Democracy" aborda os problemas encontrados ao longo dos últimos anos nas eleições dos Estados Unidos da Américas, com a utilização das máquina electrónicas de voto.

Esta questão já foi abordada aqui, mas nunca é demais lembrá-la, já que também na Europa e em Portugal se está a tentar introduzir a votação electrónica.

Sendo este um blogue de informática não podemos deixar de defender as inúmeras vantagens que o processamento electrónico de dados traz a um processo complexo como uma eleição. Mas também não podemos deixar de chamar a atenção para os enormes riscos que as democracias correm ao passarem a depender de máquinas cuja arquitectura é fechada e que correm software cujo código ninguém conhece.

Esta é a história de um grupo de cidadãos que foram investigar como é que os EUA contam os seus votos. O que eles encontraram foi secretismo, votos válidos deitados ao lixo, e os métodos que se podem usar para mudar o curso da História.


(na imagem, um screenshot de um acesso remoto não autorizado a uma máquina de votos e a adulteração da contagem)




Diskcopy: mais um blogue sobre informática

Obrigado, Celta, por essa referência simpática no teu blogue diskcopy! :-)

Não resisto a destacar esse anúncio do Phegasus, um computador dos anos 80, compatível com PC-XT (o IBM PC que se tornou standard) com um "CPU de 640K" e, na mesma caixa, uma impressora de 100 caracteres por segundo. E, como acessório, um lindo carrinho para transportar o computador!

Continua a blogar, colega!

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Homem se submete a cirurgia para usar iPhone

O Homo Tecnologicenses ("inventei" agora o termo para diferenciar do Homo Tecnologicus, este designa "o que produz e usa tecnologia para moldar o ambiente" aquele será mais "o que é moldado pela tecnologia") parece que acaba de nascer...

Ou seja, em vez de sermos nós que "fazemos" a tecnologia, será a tecnologia que nos "faz" a nós...

http://www.geek.com.br/modules/noticias/ver.php?id=10720&sec=6

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Sun e Caixa Mágica lideram esforço para ressuscitar comunidade OpenOffice Português de Portugal

Durante cinco anos o projecto português de tradução da melhor alternativa gratuita ao Microsoft Office concentrou-se nas questões mais técnicas e conseguiu atingir o seu objectivo. Infelizmente acabou por não conseguir dinamizar a comunidade de técnicos e utilizadores.

Agora, com nova liderança, as coisas parecem estar a mudar nesta importante frente do software livre em Portugal. É uma excelente altura para quem tem vontade de ajudar. Cheguem-se à frente e vamos lá criar uma comunidade dinâmica que preste serviços de qualidade aos utilizadores!

O OpenOffice é um projecto muito grande e há muitas oportunidades para colaborar. Desde a tradução à divulgação. E lembrem-se, lá porque o software é "à borla", isso não quer dizer que não haja oportunidades para ganhar dinheiro. Pelo contrário: se o cliente não tem que pagar a licença, fica com mais fundos para pagar os serviços! ;-)

Se ainda não o têm, vão buscar a última versão do OpenOffice em Português de Portugal (2.2) ao Laboratório para a Iniciativa de Software Aberto (uma excelente iniciativa do ITIJ).

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Até Quando?

Até quando os bugs informáticos vão funcionar como bode expiatório para nítidas falhas na gestão de projectos?

Na mesma linha de raciocínio da importância que os orgãos de gestão/administração de uma empresa atribuem às suas TI's. Este bitite serve para alertar os mais descuidados que é necessário ter uma boa gestão de projectos, para evitar situações desgradáveis que podem atingir o nível de caos com relativa facilidade.

Todos nós temos ideia da velocidade de processamento dos nossos computadores hoje. Temos também a noção que a sua indisponibilidade pode representar a impotência face a diversas necessidades.

Ainda me lembro de haverem sistemas de voto em que após se confirmar que a pessoa podia votar ela ía a um sítio recondito e assinalava o seu sentido de voto num papelinho que colocava numa urna. Depois era feita a contagem dos votos e deliberada a decisão de uma assembleia. Também me recordo de votar com mão no ar. Em que a contabilidade era mais acelerada, mas o nosso sentido de voto tornava-se público.

Bem sei que isso exigia um trabalho excessivo aos executivos de um dos maiores bancos Portugueses, por isso arranjaram uma solução milagrosa, um programa informático de Votos!

Nem sequer vou falar da máquina de votos americana que elegeu o George W. Bush.
Mas o que é que esse sistema de voto tem de tão complexo que tenha causado tamanho caos?
É necessário autênticar o votante com qualquer sistema de autenticação. Até se podia ter envelopes identificados que seriam entregues a cada participante com a chave para um único sentido de voto. Após autenticação, votava, retriava o "recibo" do se voto que confirmaria e colocaria numa urna. Caso haja dúvidas no sistema automático, pode-se sempre confirmar na urna. Et Voilá!

Ah e tal, mas há pessoas que têm votos de qualidade e cujos votos valem mais do que os outros!
Na boa! fazem-se envelopes específicos para esses casos e a essas pessoas atribuem-se esses. Simples!

Enfim, não compreendo como um sistema feito pelas TI's de um Banco, auditado por duas Consultoras, chega ao dia da Verdade e falha. É um péssimo exemplo! Evitem alterações de última hora. Pensem nos problemas antes! Planifiquem, façam as coisas bem à primeira s.f.f.