sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Holanda desiste do voto electrónico?

Segundo uma notícia do /., uma comissão de avaliação do processo de votação electrónica na Holanda apresentou um relatório demolidor sobre a situação naquele país.

Numa primeira resposta ao relatório, a Ministra do Interior terá afirmado que irá revogar a certificação legal a todos os aparelhos actualmente em uso. Nas próximas eleições, em 2009, é possível que a Holanda volte ao voto em papel.

Entre outras afirmações, o relatório dirá coisas do género:
  • As máquinas de voto actuais não respondem aos mais básicos requisitos de uma eleição (p.ex. transparência, controlo, integridade)
  • O voto expresso em papel continua a ser a melhor forma de responder a estes requisitos
  • A comissão recomenda o uso de um sistema electrónico para gerar o boletim de voto preenchido; o votante deve poder verificar se o voto que expressou coincide com a forma como o boletim está preenchido antes de ser depositado na urna
  • Os votos poderão ser contados electronicamente (através de scanning com a opção de uma recontagem manual
Como já foi escrito aqui anteriormente, o arquivo em papel parece ser essencial para recontagens e auditoria posterior. A opção de contar a partir do papel através de digitalização é capaz de ser desnecessariamente lenta. Se o voto é gerado por um sistema a pedido do votante, também poderá ser imediatamente contabilizado. E esta contabilização será de confiança, pois há sempre o voto em papel para confirmar.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Chacota na TV

É possível que se lembrem do "Tsunami de Informáticos" dos Gato Fedorento, onde as pessoas que estavam na praia eram assediadas por informáticos aborrecidos, com os tiques habituais que se podem encontrar em muitos de nós. O sucesso deste sketch foi tal que já se podem encontrar no Youtube versões legendadas em inglês.

No Reino Unido, o Channel 4 criou uma série de televisão só sobre os informáticos e as suas idiossincrasias. Trata-se de "The IT Crowd" que já vai na segunda época. Podem ver um excerto de um dos episódios aqui mesmo, vindo do Youtube.






Estas caricaturas exploram o lado nerd dos profissionais de TI, em particular a sua tendência para a alienação. As dificuldades de comunicação que tantos deles experimentam são apenas um aspecto da já abordada carência de soft skills. Já aqui há tempos se escreveu aqui sobre como estas são consideradas importantes e podem influenciar a carreira de qualquer um. Hoje em dia, para se ser bem sucedido não basta dominar-se técnicas e tecnologias.

Ainda há poucos dias o Times apresentava um artigo com um título interessante: If you want to get a job, get a life.

Os tipos do Inquirer, escreveram também sobre o assunto no artigo IT people need to get a wife.

É com satisfação que se observa que as principais universidades estão a preocupar-se cada vez mais sobre este assunto. Mas isto não chega. Por um lado, as universidades não podem fazer tudo. Se um jovem chega aos dezoito anos sem, por exemplo, dominar a sua língua materna quer em escrita quer em interpretação, a universidade já nada poderá fazer (o mesmo se poderá dizer de muitas outras soft skills, cuja aprendizagem começa frequentemente em casa, com a família). Por outro lado, há que recuperar os profissionais que já estão no activo e que têm estas lacunas. São os seus comportamentos que têm vindo a causar a degradação da imagem do profissional de TI, e é aí que é preciso actuar, antes de mais.

No meio disto tudo, temos que agradecer aos comediantes. A verdade é que há muita gente na nossa actividade que irrita profundamente os utilizadores e não compreende porquê. Se se derem ao trabalho de analisar as caricaturas, pode ser que comecem a entender.

Já agora: quem souber de mais sítios onde gozam com os informáticos, diga! Não nos podemos levar demasiado a sério! :-)

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Excel 2007

Aqui há uns dias o Fernando Fernández publicou um interessante artigo onde partilhava connosco a sua frustração com o Excel 2007.

Uma notícia fresca na comunidade da informática financeira está a criar uma enorme agitação. No Excel 2007 um erro gravíssimo passou todos os controles de qualidade. Para quem tem esta versão do Excel experimentem colocar 425 em A1, 154.2 em B1 e =A1*B1 em C1. O Excel escreve 100000 em vez de 65535 (2^16-1).

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Jogos violentos: a (ir)responsabilidade da indústria... e dos pais


Não sou psicólogo. Não sou pedagogo. E portanto sou pouco habilitado a mandar bitaites sobre a questão da violência dos jogos e do seu impacto na sociedade. Mas pertenço à indústria "dos computadores". E sou pai. Por isso acho que posso e devo ter uma opinião formada sobre este assunto.

Brincar, jogar, são actividades fundamentais no desenvolvimento de qualquer animal "superior", em particular o homo sapiens. E para que servem estas actividades? Servem para treinar o corpo e a mente para as actividades que irão ser realizadas durante a vida adulta.

Dentro desta óptica, que me parece não fugir muito ao consenso sobre a utilidade da brincadeira durante o desenvolvimento, o jogo tem a função de criar e solidificar hábitos e reacções a estímulos que, quando são necessários mais tarde serão utilizados de uma forma perfeitamente inconsciente pelo adulto.

Em poucas palavras:

jogo = treino = condicionamento


Uma boa parte da indústria do software dedica-se, como todos sabemos, a criar jogos. O que é um negócio perfeitamente legítimo. Infelizmente, parte desses jogos recorre frequentemente a uma violência extremamente gráfica e cada vez mais realista, para criar estímulos nos seus utilizadores.

A imagem que se apresenta acima corresponde a um anúncio enganador usado por uma software-house que produz estes jogos. Nalguns países mais atentos, este anúncio foi proibido. Não nos deixemos iludir: o treino da violência não dá paz interior. Antes dá propensão para o uso da violência como solução fácil para qualquer problema.

Muitos pais assumem que, como os jogos se vendem livremente nas lojas, são inócuos. Posso relembrar que o consumo de cocaína, há 100 anos atrás, era aconselhado às senhoras de sociedade por muito boa gente? Nem por isso era inócuo. Alguns pais chegam a dizer que não há razão para preocupações, porque as crianças "sabem distinguir o que é jogo do que é realidade". Mas esquecem-se da função condicionante do jogo, que faz com que as reacções se tornem automáticas quando os estímulos adequados se apresentam. Talvez valesse a pena fazer um estudo sobre o surgimento da moda do street racing, com o enorme desrespeito pela vida dos outros utilizadores da estrada, e verificar qual a influência da enorme quantidade de jogos de condução violenta que apareceram nos últimos anos.

O apuramento das espécies pela selecção natural acabou por ditar maiores probabilidades de sobrevivência aos indivíduos que retiravam mais prazer da brincadeira (porque treinavam mais). Na espécie humana, pela grande complexidade da sua cultura e das suas actividades, o jogo ganha uma importância especial. Daí que os seres humanos tenham uma enorme apetência pelos jogos, em especial durante a infância e juventude.

Uma parte da indústria dos jogos aproveita-se irresponsavelmente desta característica humana, numa atitude pouco ética que não beneficia em nada os seus clientes. Os pais olham para o outro lado e não percebem os mecanismos neurológicos que estão em acção. O resultado é que os jovens são condicionados para reagir de forma violenta e ser-lhes-á difícil e trabalhoso desmontar esses reflexos na vida adulta, dificultando a sua integração numa sociedade pacífica e próspera.