sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Software grátis e útil para o PC do Natal

A Market Report traz uma notícia algo surpreendente: o mercado nacional de PC's está a crescer 75% em 2008. Isto é: estarão a vender-se este ano quase o dobro dos computadores pessoais do que no ano passado. Uma razão para isto será certamente a existência dos programas governamentais que facilitam a aquisição de computadores portáteis para o ensino básico e secundário. E outras razões haverá.

Entretanto, e como estamos na época do Natal, muita gente irá também comprar um computador novo nesta época, pelo que aqui fica uma lista de software open-source (ou simplesmente gratuito) essencial em qualquer PC. Quem usa Linux pode instalar os pacotes automaticamente usando o sistema operativo. Mas como a maior parte dos novos PCs irá (ainda) correr Windows, a lista inclui URLs para fazer o download.

Firefox Web Browser: o melhor browser do mundo, com centenas de extensões facilmente instaláveis. Extras recomendados: Dicionário de Português, Dicionário de Inglês, Flagfox, IE Tab (para aqueles sites mal feitos, que só correm em IE).

Thunderbird Mail: para ler correio electrónico qualquer que seja o servidor e o protocolo de acesso, com muitas extensões facilmente instaláveis. Extras recomendados: Lightening (agenda), Dicionário de Português, Dicionário de Inglês

OpenOffice3: afinal quem é que manda nos meus dados? A "suite" de escritório electrónico aberta lançou a sua mais recente versão e os seus ficheiros nunca mais ficarão trancados em formatos proprietários sujeitos a ameaçadoras patentes. Também possui um sistema de instalação de Extras, dos quais se recomendam: Dicionário de Português, PDF Import Extension, Professional Template Pack

Java Runtime Environment: seja para entregar o IRS ou para correr animações feitas com JavaFX, o Java é um daqueles que não se pode evitar, e ainda bem.

Avast Antivirus Home Edition: não é open source mas é gratuito e faz mesmo falta nos dias de hoje.

Gimp: Photoshop para quê se temos o Gimp? Edição de imagens profissional sem gastar um tostão em software.

Pidgin: porquê limitar-nos ao MSN se podemos falar também nas redes Google Talk, ICQ, Yahoo, etc.? Com o Pidgin podemos estar em todas.

7zip: um utilitário muito versátil para arquivar manipular ficheiros ZIP e outros ainda mais compactos.

FreeMind: um bloco de notas com esteróides, que permite editar mind-maps e organizar ideias de forma gráfica e muito compacta.

Ubuntu: se o PC novo tem Windows, abra uma janela para outro mundo. Instale Ubuntu Linux, sem destruir o Windows, e experimente a liberdade de escolha.

Boas compras!

(e se se lembrarem de mais algum, digam)

Spring Integration


Finalmente, após meses de "incubação" e apenas 2 dias após a data prevista, eis que foi oficialmente lançada a versão 1.0.0 GA do projecto "Spring Integration".

Não sendo eu muito adepto do uso desenfreado de Frameworks - ando para escrever algo sobre aquilo que considero um "antipattern" a que chamo de "Framework Oriented Design Architecture" mas tenho vergonha de o fazer em Português - e tendo algumas histórias de puro terror com o uso de algumas (não vou citar quais para não ferir susceptibilidades), foi com enorme prazer que verifiquei que desta vez as minhas fobias não se verificaram, considerando que trabalho com este projecto desde a versão M1, embora com algumas interrupções.

Eis aqui alguns pontos que creio justificarem a diferença:

- A "envergadura" do projecto. Os autores não têm tentado fazer um "state-of-all-arts" que rapidamente se torna num "elefante" que tenta servir todas as mesas ao mesmo tempo quando devia estar apenas a atender ao balcão. É o que acontece, do meu ponto de vista, com por exemplo o projecto Restlet que se tornou quase tao grande como os "monstros" SOA que visava "substituir" (que me perdoe o Jérôme Louvel por dizer isto, ele que até pertence ao grupo de "experts" do JSR-311 que tanto prezo...).


- A "maleabilidade" do projecto.
Não tendo que seguir rigidamente uma norma ou especificação (o projecto é apenas "loosely-based" no famoso livro EAI Patterns) o projecto não caiu na tentação de seguir uma linha orientada a um único "use-case", tendo-se mantido até agora utilizável em cenários completamente distintos dos idealizados pelos autores. Ao contrario do que sucedeu com o Jersey, que tendo optado por uma estrutura unicamente orientada a HTTP torna difícil a sua implementação com outros protocolos. O que aliás não é muito RESTafarian.

- A gestão do projecto. Mark Fisher, o leader do projecto, é uma pessoa com uma abertura extraordinária para "ouvir a comunidade", para pôr as suas próprias ideias em discussão, e quando é caso disso para integrar o resultado dessas discussões no projecto. Mesmo quando essas discussões são com gajos chatos pra caramba...

Por motivos compreensíveis, aguardo com ânsia a versão 1.0.1!!!

P.S. - Perdoem-me a imodéstia de me citar a mim próprio tantas vezes, mas também se não escrever daquilo que conheço, é melhor não escrever nada (ok, já sei o que estão a pensar)...

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

[Off-topic] Piada velha

Esta já é velha, mas como há quem não saiba, aqui vai.

Uma mulher vai à polícia.
- Senhor guarda, quero apresentar uma queixa! - diz ela
- O que se passou, minha senhora? - pergunta o guarda
- Fui violada!
- Foi alguém que a senhora conhece?
- Não senhor guarda nunca o tinha visto. Apareceu vindo do nada, violou-me e foi-se embora.
- É capaz de o reconhecer se o vir outra vez?
- Não sei se sou capaz... foi tudo tão rápido.
- Notou alguma coisa de especial na cara, na roupa?
- Não, nada de especial
- Viu se era alto ou baixo? Magro ou gordo? Louro ou moreno?
- Não consegui ver, senhor guarda... Só sei que era consultor...
- Consultor?!? Mas como é que a senhora sabe disso?
- Ora senhor guarda... fui eu que tive que fazer o trabalhinho todo!


quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Quando as coisas correm mal... na livraria

Mais uma "televisão publicitária" encravada com um problema qualquer de software. Desta vez numa prestigiada livraria.

Por acaso tive que voltar ao mesmo sítio passadas 8 horas e, pasme-se, ainda ninguém tinha tomado a iniciativa de ir lá desligar a coisa.


O que é que está errado neste género de situações? É que há quem pense que basta comprar tecnologia para resolver problemas ou mudar a sua imagem. Mas não. A tecnologia é complexa e se não nos preocupamos em conhecê-la e dominá-la, acabamos a fazer figuras tristes.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Quando as coisas correm mal... no Vista



Há muita gente a dizer mal do Vista. Eu acho que, antes de mais, foi um passo maior do que a perna.

A verdade é que faz (muito) mais coisas. Mas muitas dessas coisas novas são um aborrecimento.

E há outras que funcionam mesmo pior. Como o Explorador do Windows, que agora de vez em quando estoura.

Há mínimos. Ou não há? ;-)

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Sistemas Operativos - para quê?

No conjunto das coisas-que-existem-na-informática-que-na-minha-opinião-que-vale-o-que-vale-não-deviam-existir, em meio a utilizadores, gestores de projecto, bases-de-dados relacionais, frameworks e quejandos, existe uma que nunca tinha referido antes - Sistemas Operativos.

Há muito muito tempo, "more time then I care to remember" como dizia a canção, comecei eu a trabalhar num computador todo jeitoso que na altura era o "state of the art" da indústria, inventado por quem inventou os computadores como os conhecemos hoje. Toda a gente sabe de quem falo - a Xerox, claro está.

Essa maravilha tecnológica chamada Xerox 820-II corria em CP/M, produzido por uma companhia chamada Digital Research que mais tarde ficou tristemente célebre por ter "perdido" o contrato de fornecimento à IBM do sistema operativo para os IBM-PC para o então pouco famoso Bill Gates que soube aproveitar da melhor maneira o facto da sua mãe pertencer ao conselho administrativo de uma instituição de caridade onde também tinha assento o então presidente da... IBM!!! Mas enfim,isso é (outra) história...

Mas, dizia eu, o CP/M era muito bonzinho para trabalhar, uma "footprint" de memória baixíssima (que remédio, pois se não havia memória...), simples o suficiente para, por exemplo, escrever "device drivers" e pequenos utilitários em Assembler praticamente só usando as "system calls" do CP/M (a propósito, fazendo o mesmo em MS-DOS bem que reparei na altura que 80 ou 90% dos System Calls eram iguais).

E o que era melhor, ligava-se o computador e demorava talvez um segundo a carregar todo o OS, desligava-se o computador sem ter cá "shutdowns", fazia-se CTRL+ESC para fazer reboot quase instantâneo. E podia-se correr tudo o que se quisesse em Debug... Incluindo o próprio CP/M. Claro que está que conseguir perceber o programa só olhando para código assemblado e o os registos da CPU era obra...

Mas ainda mais importante, a sua simplicidade permitia compreender o funcionamento do computador, permitia entender directamente essa relação equivoca de software com hardware, entre aquilo que nós como programadores escrevemos e aquilo que a máquina faz ao nível do processador.

Ora eu não defendo que para programar em linguagens de alto nível o programador tenha que necessariamente saber o que se passa a baixo nível, até ao nível do hardware. Aliás, acho que os computadores só marginalmente estão relacionados com a Informática. No entanto, dado que eles são parte integrante do corrente estádio evolutivo da indústria, perceber o que fazem a baixo nível é muito útil seja a que nível se esteja a trabalhar. E eu sou uma pessoa tipicamente de baixo nível...

Bom, mas sendo pequeno é no entanto um OS, e eu comecei por dizer eles que nem deviam existir... É um exagero, claro, só para marcar o meu ponto. Um OS é uma conveniência, às vezes inconveniente. O problema é que quanto maior se torna OS maiores se tornam os inconvenientes, porque cada vez temos um OS "one-size-fit-all", que pode ser bom para a maioria da situações mas que vão sendo cada vez piores quanto mais específicos são os problemas que tentamos resolver. E porque cava-se um fosso cada vez maior entre OS (que é software) e o restante "software aplicacional" que tem que depender daquele, mas que deve ser moldado não às capacidades permitidas pelo OS mas às necessidades do nosso problema.

Idealmente, devíamos ter uma "separação" de níveis somente entre hardware e software , e o que se vê é existirem cada vez mais níveis de separação (que por si só constituem pontos de falha) tal como em HW, OS e SW.

Imaginem em desenvolvimento de software para sistemas críticos como equipamentos hospitalares, aeronáuticos/espaciais, militares e outros, a enorme vantagem que não é poder fazer "debug" de toda a aplicação desde o UI ou outra qualquer fonte de input de dados até a ultima instrução que age directamente sobre o hardware, seja abrir a válvula do oxigénio ao paciente que sufoca, abrir só mais uns milímetros o flap do avião que está em rota de colisão com o nosso, fazer com que o giroscópio na cabeça do míssil alinhe com a gruta onde esta o Bin Laden e não com a casa 500 metros ao lado onde uma família de 150 pessoas está a fazer a festa do primeiro aniversário do mais recente rebento...

Ter todo o software escrito na mesma plataforma/linguagem, de modo a não haver diferenças entre OS e SW aplicacional, parece ser uma ideia boa em teoria, mas funcionará na pratica?

Squeak

Squeak é uma implementação de Smalltalk que corre sobre uma VM que é ela própria escrita em Smalltalk. Foi inventada pelos meus ex-colegas da Xerox PARC, os tais que inventaram o computador como o conhecemos (eu trabalhava na Xerox quando a sede era ali no Parque Eduardo VII, de modos que PARC / Parque, fomos praticamente colegas -- que piada tão gira, não é?) .

SqueakNOS

SqueakNOS é uma tentativa de reduzir ainda mais a dependência de OS do Sqweak, na pratica para 99.9% Smalltalk, 1400 linhas de C e 60 de Assembler.

Squawk

Squawk é uma iniciativa que pretende fazer o mesmo com a JVM que o Squeak fez com o Smalltalk, ou seja, reduzir o mais possível a dependência entre a JVM e o OS.


Bom, para tornar curta uma história longa e antes que mandem dar uma volta larga num cais pequeno, é minha opinião, que mais uma vez repito vale o que vale, que seria de todo conveniente que existissem não um ou dois ou três grandes sistemas operativos mas sim uma grande numero deles, um vasto numero, escritos para casos específicos e de preferência na mesma linguagem das aplicações que vai suportar. Que é como quem diz, não haver OS algum...

Como dizia o outro, isso de ter o OS separado do SW está muito bem na pratica, mas funcionará em teoria?



Bom, e que tal acabarmos com uma músiquinha? Não? Então vamos lá...

Para não roubar largura de banda a outros blogs, podem ouvir (e fazer o download, ler a letra e ver ao vivo) esta música intitulada Every OS Sucks, e que como podem ver pelo refrão simboliza perfeitamente senão o conteúdo, ao menos o espírito deste "post".

Every OS wastes your time,
from the desktop to the lap,
Everything since Apple Dos,
Just a bunch of crap.

From Microsoft, to Macintosh,
to Lin– line– lin– lie… nux,
Every computer crashes,
’cause every OS sucks.

Referências:
http://www.artima.com/weblogs/viewpost.jsp?thread=239339
http://blogs.oreilly.com/digitalmedia/2005/10/we-dont-need-no-stinkin-os.html

terça-feira, 14 de outubro de 2008

OpenOffice 3.0


Já saiu a versão 3.0 do open office.
Está disponível para windows, Linux e Mac OS X.
O lançamento foi conjunto para os principais idiomas. Infelizmente o nosso Português Europeu não aparece na lista.

O sucesso foi tal que o site do openoffice ficou muito instável (praticamente sempre indisponível) :-( .
Ando desde ontem a tentar fazer o download e não consigo. O melhor é usar o download com um P2P.
Na próxima vez convém estarem mais preparados para uma enorme quantidade de downloads e acessos (se perguntarem à mozilla que eles ensinam).

Quanto às primeiras impressões....só depois de conseguir experimentar.


sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Apoio na utilização de Alfresco e Roadshow

O Alfresco é um excelente sistema de gestão documental em open-source baseado em tecnologias Java, que já aqui foi referido antes.

Como muitos projectos open-source actuais, o Alfresco é gerido por uma entidade comercial - a Alfresco Inc. - que presta serviços profissionais sobre o produto. Mas a grande virtude do modelo de código aberto/livre é que os utilizadores podem decidir se querem ou não pagar esses serviços. É que, para além do fabricante, há sempre uma Comunidade que pode ajudar.

Naturalmente, o fornecedor tecnicamente mais apto para prestar serviços sobre o produto será geralmente a companhia que o desenvolve. No entanto, há outros factores importantes a considerar para além da especialização técnica, nomeadamente a proximidade geográfica e cultural, a rapidez e abrangência da resposta (que acontece quando o problema está noutro componente do sistema?) e, claro, o preço.

No que diz respeito ao Alfresco, o utilizador tem três alternativas diferentes para obter apoio:
  1. Recorrer à Comunidade, através do site ou dos fóruns, a forma mais económica
  2. Recorrer a serviços profissionais dentro da Comunidade
  3. Recorrer à Alfresco e seus parceiros locais
Estas três alternativas (que nem sequer são mutuamente exclusivas) demonstram bem o grande factor concorrencial do modelo do software livre: a escolha. O utilizador pode escolher o fornecedor de acordo com as suas necessidades e expectativas. E também de acordo com o seu orçamento.

Vem isto a propósito de um evento que vai ocorrer no próximo dia 23 de Outubro. A Alfresco Ibérica vai organizar (com o apoio de um dos partners oficiais portugueses) uma sessão informativa sobre o produto, os serviços e a comunidade que o rodeia. A sessão decorrerá de manhã, no antigo edifício da Bolsa, em Lisboa.

A agenda e as inscrições podem ser encontradas aqui.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Carreiras

Conhecem decerto o site ActiveTechPros, onde podemos constatar a miséria que os nossos patrões nos pagam, e comparar com a miséria que outros ganham por esse mundo fora.

Só pra chatear aqui ficam os números de alguns países. Quem diria que aqui na Doce e Verde Irlanda se ganha mais do que na Velha Albion! Era como se em Portugal se ganhasse mais do que em Espanha...

Média em k€ para System Developers

Portugal: 21 (334)
Espanha: 31 (256)
Irlanda: 49 (146)
UK: 48 (1235)
USA: 56 (244)

idem, para Project Managers

Portugal: 36 (185)
Espanha: 46 (250)
Irlanda: 65 (46)
UK: 63 (461)
USA: 66 (100)

Da mesma fonte surgiu agora um relatório - Portugal IT Salary & Skills Snapshot 2008 - que revela números semelhantes - 24k para System Developers, 39k para Project Managers, num universo de 399 respondentes de entre os quais 152 pessoas são PM's e 115 trabalham. :)

Agora, eu nao tenho nada contra essa tão nobre classe profissional, se bem que, tal como na estória do "C-Monkey", eu nunca os tenha visto a fazer nada, ou como dizia o outro, "eles falam falam falam falam falam falam falam, mas eu nunca os vi a fazer nada!!!"

Mas agora a sério, eu sei por experiência própria que PM é um trabalho chato, burocrático, "pesado", e eu não o faria nem que me pagassem 39k (ou 65k no meu caso), mas o que acho é que em Portugal são muito poucos os Project Managers que o são por "vocação", que têm "paixão", que são capazes de ficar até às tantas da manhã a fazer, bem, não sei ao certo, aquilo que os PM's fazem...

Pelo contrário, conheço muitos, muitíssimos programadores que possuem essa "chama" que os fazem trabalhar horas a fio, as mais das vezes mal pagos, às vezes a resolver coisas "impossíveis" (que por acaso é o que mais gozo dá) e que se calhar chegam a casa e ainda vão para o computador ver as últimas.

Acho que infelizmente quem vai para PM são pessoas que passam pela programação e, devido à falta dessa paixão, e não quero ser injusto dizendo de capacidade, optam por seguir a via mais fácil e que ainda por cima é (será?) em média mais bem remunerada, e em vez de se andarem a chatear com a chatice da programação, passam a chatear... os programadores!

Porque, ao fim ao cabo, o PM quer mensurar o imensurável, quer meter o Rossio na Rua da Betesga, quer saber o que o principio da incerteza do projecto não permite saber. Quer-nos fazer crer que "não devemos reinventar a roda" - como se os F1 usassem rodas de carroça - quando reinventar a roda é a mais das vezes útil - torna-nos melhores programadores enquanto indivíduos e é a melhor forma de obtermos vantagem concorrencial sobre os nossos competidores enquanto empresas.

Notem que não quero generalizar, até porque em geral é perigoso generalizar, e estou certo que existem muitos e bons profissionais nessa área. Mas ninguém me tira da ideia de que PM's são um dos "males necessários" da Ciência da Informação, tal como, entre outros, os utilizadores e os computadores...

Com tudo isto, pretendo dizer que uma "carreira" como programador é o caminho a seguir por quem "gosta" disto, é uma parvoice tentar seguir o caminho do "management" só porque isso é visto como uma "subida" na carreira, porque o Project Manager ganha mais dinheiro, porque o programador nos tempos que correm é visto já como uma entidade "inferior", ninguem se chama hoje a si próprio "programador" mas "software engineer", "systems architect", "solutions designer" (ou qualquer destas designações em diferentes combinações), toda a gente é sénior com um ano de experiência, e até já existem "consultores juniores", o que me parece a mim uma contradição nos termos.

Pera lá, mas o "ganha mais dinheiro" faz jeito, ou nao? É uma falsa questão. Ninguém ganha mais dinheiro porque "é" isto ou "é" aquilo. Ganha-se mais dinheiro porque se é bom a fazer as coisas que se fazem. Porque o nosso trabalho pode fazer a diferença, especialmente num mercado tão competitivo como IT.

E acreditem, no final é o programador que faz a diferença, não o gestor de projectos...



quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Comportamento de risco


Dariam a chave da vossa casa ao arrumador de carros da vossa rua? Se têm algum apreço pela casa e o que têm lá dentro, provavelmente não.

Há muitas pessoas que metem estranhos em casa e nem sequer se apercebem disso. Fazem-no instalando software de origens incertas no seu PC, sem terem a mínima certeza de que os programas fazem o que prometem, e sem verificarem minimamente a credibilidade de quem o produziu.

A diferença entre uma página web e um programa que se tira da web

Uma página web, mesmo que tenha alguns componentes animados, está quase sempre isolada dentro do browser web (Firefox, Internet Explorer, etc.), pelo que não pode aceder a recursos do PC como sejam a webcam, o teclado ou o écran. Mas muitas páginas web permitem fazer download de programas, que a seguir podem ser instalados no computador com um mínimo de esforço e quase automaticamente.

Aí é que começa o comportamento de risco. Ao instalar o programa que se acabou de descarregar, por mais legal ou gratuito que este seja, estamos a arriscar a integridade dos nossos dados e a segurança do nosso computador. Os programas instaláveis acedem a quase todos os recursos da máquina com as mesmas permissões que o utilizador tem. Isto é agravado pelo facto de a maior parte dos utilizadores
trabalharem nos seus PCs como "Administradores", com permissões máximas. Um programa mal intencionado pode, por exemplo, aceder à nossa webcam e recolher fotos da nossa casa. Ou pode fingir que se deixa fechar mas ficar residente em memória a recolher dados sobre as passwords que nós usamos para aceder ao nosso banco via web.

É por isso que todos os browsers, antes de executarem qualquer programa acabado de descarregar da net, perguntam ao utilizador se quer mesmo seguir em frente. E, se não tivermos a certeza de que o fornecedor do software é de confiança, o que devemos fazer é mesmo não deixar executar o programa, por mais atraente que ele nos tenha parecido.


A ilusão dos antivírus

Muita gente sente-se descansada porque tem um antivírus actualizado. Mas isso não é garantia significativa contra programas mal intencionados, por uma razão fácil de compreender. As companhias de antivirus só conseguem defender-nos de vírus muito divulgados, porque são fáceis de descobrir e analisar. Mas por cada vírus ou troiano que é detectado poderá haver um que não o é, e provavelmente nunca vamos sabê-lo. Se instalamos com frequência software duvidoso, aumenta o risco de instalarmos também um troiano não conhecido.

Software crackado, o que é, quem o fez

Um dos maiores sucessos dos downloads de software são os programas "crackados". Não é difícil encontrar na net versões do Windows, do Office, ou do Photoshop, aparentemente iguais às originais mas sem as protecções contra cópia que os fabricantes lhes instalaram. Estas versões adulteradas são bastante atractivas para o utilizador que tem um orçamento curto. O problema é que ninguém pode ter a garantia que o cracker que adulterou o software só o fez com boas intenções e só desligou mesmo a protecção do fabricante. Ponham-se no lugar de um tipo esperto, que sabe o suficiente de programação para adulterar um Windows: não se sentiriam tentados em explorar a ganância das pessoas em vosso proveito? Não há aquele ditado que diz "ladrão que rouba ladrão..."?

Software proprietário grátis, a que propósito?

Não é difícil acreditar que algum do software grátis que há por aí na net seja feito com boas intenções por gente que quer partilhar os benefícios daquilo que sabe fazer. Mas estes casos serão, cada vez mais, uma minoria.

Quando encontrarem um software grátis, perguntem-se: "como é que este tipo paga a comida e a renda da casa?" se conseguirem uma resposta satisfatória, força, arrisquem e instalem o software no vosso PC. Por exemplo: os programadores de software livre oferecem gratuitamente o resultado do seu trabalho para quem o quiser. Mas, frequentemente, estes programadores são pagos por empresas que precisam do software e que estão dispostas a pagar o seu desenvolvimento, não exigindo que seja para seu uso exclusivo (há até vantagens em ter mais utilizadores do mesmo software, porque facilita a manutenção e a assistência técnica). Mas se o programa que vos apetece instalar não tem código-fonte disponível e o programador não vos pede dinheiro pela utilização do software, desconfiem. É possível que ele procure receitas por outro modo... à vossa custa.

Não é coisa que se recomende a um amigo

Por estas e por outras, a instalação de software que vamos buscar à net é uma coisa cada vez mais arriscada. E não é coisa que queiramos fazer ou que recomendemos aos amigos.

Faz-me alguma impressão ver por aí escrito "vai a tal sítio e descarrega aquele programa que é muita fixe, faz isto e aquilo". E até já ouvi este género de coisas em programas de rádio feitos por gente esclarecida em termos informáticos. Nesses casos penso logo: quem é que fez este programa? Não será algum rapazola com educação informática, ao serviço de uma máfia qualquer, que anda a fazer isto para conseguir entrar na minha máquina?


O risco para as empresas

As empresas que permitem aos seus colaboradores fazer downloads e instalações de software da net estão a arriscar muito mais do que o indivíduo que, em casa, faz o mesmo. Uma máquina "infectada" ou comprometida, no meio de uma rede local de uma empresa, pode ser uma porta de entrada para o mafioso que está no outro lado do mundo à procura de dados bancários ou a fazer espionagem industrial. E os colaboradores que assumem esses riscos devem recordar-se que não só estão a pôr em causa as suas informações mas também toda a rede da sua empresa. No mínimo, arriscam-se a parar a empresa com uma infecção de vírus novos ou um ataque de "denial of service". No pior cenário pode haver perdas de dados ou roubo de informação confidencial.

Não valerá a pena ter cuidado?



quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Ahah!

Não consigo descrever como fiquei satisfeito ao ler a última newsletter do Javalobby ("Why is the default answer always a web app?"). Nela, o David Van Couvering questiona a criação sistemática de um "multi-tiered HTML/CSS/JavaScript monster" como resposta a qualquer problema. Em vez disso, ele defende Java Web Start, Swing, e Rich Internet Applications.

Como eu concordo com ele...

Aqui há mais de um ano, quando a Sun anunciou que ia "libertar" o Java, comecei a escrever um artigo cujo título era "Ajax Nonsense, Open Source Java and the return of the Applet". O Sérgio Ferreira convenceu-me que não valia a pena insistir porque AJAX era o que os clientes queriam e por isso não havia nada a fazer. E, como eu tinha mais que fazer, o artigo nunca foi acabado.

Entretanto, a Sun lançou o projecto JavaFX, que mais não é do que o Retorno do Applet. ;-)

E a malta começa a questionar-se, finalmente, se não será demasiado pouco aquilo que se consegue fazer hoje em dia com as arquitecturas aplicacionais baseadas em HTML, Javascript e requests HTTP avulsos - a base do AJAX.

Até que enfim que começamos a repensar a produtividade do que andamos a construir! :-)

domingo, 28 de setembro de 2008

Quando as coisas correm mal... no ISP

Aqui há uns tempos, lá em casa, rescindimos formalmente o contrato com o nosso ISP. Sem surpresas, eles não gostaram. O pior foi que nos começaram a mandar umas mensagens de email a pedir desculpa, que não tinham tido tempo de efectuar a rescisão... e entretanto continuavam a mandar as facturas mensais. Só fizeram isto um mês, porque no mês seguinte já não tinham autorização de débito na conta e não puderam cobrar.

Ora nesta altura podiam ter ido ver o se passava com o contrato, aperceberem-se do erro e ter-nos devolvido o mês que nos cobraram indevidamente. Mas não. Mandaram-nos uma carta, duas cartas a ameaçar que nos cortavam o serviço! :-) Quão ridículo é que isto fica?

Escusado será dizer que deixámos que nos "cortassem" o serviço, que já não usávamos havia dois meses. Claro que estamos "marcados", na BD do ISP, como maus pagadores. E um dia destes ainda vamos ter aborrecimentos por causa disto.

Seja como for, não havia necessidade de terem deixado a caixa de distribuição neste estado. ;-)

Na foto: a caixa de distribuição do nosso andar, após a intervenção do ISP

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Magalhães - Apesar de tudo é positívo

Começa hoje a distribuição do Magalhães nas escolas Portuguesas.

Apesar das questões politicas e comerciais envolvidas à escala global (do qual de seguida teço algumas considerações) sou de opinião que o balanço deste programa acaba por ser positivo.

Nem parece uma opinião das minhas :-P mas eu justifico :
  • As crianças Portuguesas passam a ter acesso a um computador a elas adaptado (resistente ao choque e à agua) a baixo custo, com discriminação positiva para aquelas que mesmo com preço reduzido teriam dificuldades na sua aquisição ;
  • Uma empresa Portuguesa, JP Sá Couto exporta mais produtos ;
  • Não há obrigatoriedade de assinatura de contrato de fidelização para as familias que não pretenderem usar banda larga 3G.
É por isso algo de certeza positivo para os Portugueses.


No entanto, na minha opinião não foram tomadas as melhores opções.

Voltemos um bocadinho atrás...

Tudo isto começa com a iniciativa de Nicholas Negroponte, que no MIT lançou a Fundação One Laptop Per Child - OLPC. O seu objectivo era tão só que qualquer criança, incluindo as dos países sub desenvolvidos tivesse acesso a um computador (já conheço as criticas que dizem que nem comida têm e por isso não precisam de um computador). Desta forma a fundação projectou o XO-1. A sua construção não teria fins lucrativos e o objectivo era que não ultrapassasse os 100 dólares.
















É claro que este projecto não agradou às companhias que nela viram uma ameaça por via da descida dos preços. Duas delas foram a Intel, que é a lider no fabrico dos micro processadores (e embora se tenha associado ao projecto fê-lo com o claro objectivo de se manter por perto) e a Microsoft que construiu o windows. Desta forma, a fundação associou-se à AMD, à comunidade Linux e a outras companhias como a Google.

Com grande empenhamento e vencendo inúmeras dificuldades, conseguiram não só viabilizar o projecto (entregando centenas de milhares de computadores a crianças) como projectar a segunda versão (XO-2), com grandes inovações não só a nível técnico como de conceito. Como é óbvio a Intel e a Microsoft rapidamente perceberam que a disseminação de tecnologias que não as suas se iriam tornar rapidamente uma enorme ameaça. Desta forma a Intel resolveu criar um computador chamado classmate. Algum tempo mais tarde o governo de Portugal associa-se à iniciativa através não só da concessão de apoios à instalação de uma nova fábrica em Portugal (renomeando os computadores com o nome de Magalhães), mas também através da atribuição de subsídios às crianças do 1º ciclo que irão adquirir o equipamento.

O Magalhães fica claramente atrás do XO-2 na maioria das comparações:
  • Consome dez vezes a energia do XO-2;
  • Tem um terço da capacidade de captação da rede sem fios;
  • Não tem meios alternativos de fornecimento de energia (O XO-2 pode ser carregado com energia solar ou com uma manivela);
  • O XO reencaminha o acesso à net para outros computadores (e assim sucessivamente) reduzindo as necessidades de infraestrutura;
  • O XO-2 tem um preço de fabrico muito mais baixo do que o Magalhães;
  • O XO-2 é inovador (aplica os conceitos do dynabook de Alan Kay) enquanto que o Magalhães é um portátil tradicional truncado e melhorado.
A minha opinião é de que o governo, a exemplo do que fez com os computadores do e-escolas (já com o o sistema operativo não se portou tão bem) deveria ter permitido a alternativa de escolha aos pais. Pelo menos entre o Magalhães e o XO-2. É certo que com este passo está a proteger a indústria Portuguesa, mas está por outro lado a retirar o direito à diversidade (quem não se lembra de beber Canada Dry em vez de Coca Cola porque Salazar queria proteger a indústria Portuguesa) e a prejudicar projectos não só de objectivos claramente meritórios como tecnológicamente mais evoluídos. É claro que não estou por dentro das eventuais condições leoninas impostas pela Intel ao governo Português.

No meio desta guerra, o projecto One Laptop Per Child já consegiu mudar uma coisa : Mais crianças tem agora acesso a computadores. Directamente pelos seus produtos ou indirectamente por "obrigar" a intel, asus e outras a vender PC(s) de muito baixo custo e adaptados às suas necessidades.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Quando as coisas correm mal... no website

É tramado quando investimos meses num website e depois ele aparece assim aos utilizadores. Neste caso, os menus ficaram escondidos pela imagem de ilustração.





A explicação pode estar mais abaixo: "Optimizado para IE 6"?!? E o 7? E o 8? E todos os outros?




Quando é que a malta passa a fazer websites compatíveis com os standards e não com os seus browsers de estimação?

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

GWT - Afinal sempre é possível fazer as coisas simples

Nas últimas semanas tenho andado a estudar e experimentar o GWT. É uma agradável surpresa.
Depois de ter passado pelo JSF e afins sinto finalmente que alguém decidiu dar um murro na mesa e dizer : 
Mas porque é que estão com complicações ? Existe um lado que é interface e corre no cliente e outro que corre no servidor e um mecanismo simples que permite comunicar facilmente entre os dois.

É certo que ainda não tenho nenhuma aplicação feita por mim em produção. Mas a este ritmo e com a confiança com que estou na ferramenta acho que lá irei chegar rápidamente.

Os conceitos são simples:
  • A programação é feita em Java de forma muito similar ao swing.
  • As componentes visuais programadas podem ser ligadas às tag(s) do html, permitindo aproveitar trabalho já feito ou programar no editor de html preferído.
  • Compila-se o java e a ferramenta gera JavaScript para o browser específico.
  • As componentes de servidor são "apenas" rpc(s) para as quais se disponibilizam formas fáceis de comunicação (conversão de objectos java em javascript, xml ou json).
  • Os pedidos de execução no cliente a componentes no servidor são assincronos. Ajax simples :-).
Sinto a falta de um editor visual.  Não existe nada "free" mas já andam por aí produtos comerciais baratos.
Seja como for é bastante fácil de fazer "à mão".


quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Fartos de esperar pelo Internet Explorer ? - Experimentem o Google Chrome



A Google lançou ontem o seu browser para aceder a sites na internet.

Eu já usava o Firefox por ser muito mais rápido que o internet explorer.
Experimentei a nova criação da Google : O navegador Google Chrome. É fantástico. Nota-se mesmo a diferença.
Não é milagre nenhum. Tem uma série de inovações técnicas (descansem que não vou maçar-vos com uma explicação) que justificam não só o excelente desempenho mas também algumas características que passo a enumerar:
  • Cada separador funciona de forma autónoma. Desta forma podemos navegar com vários separadores mas sem medo que um erro num deles estrague todas as páginas que temos nas outras. Quando uma página "estoura" é só naquele separador. Os outros continuam a funcionar.
  • Os separadores podem ser "arrastados" para fora do "browser" tornando-se outra janela externa. Se o separador for "arrastado" para outra janela do Chrome fica adicionado como separador da janela onde é "largado".
  • A barra de endereço (onde se digita o endereço da página) faz pesquisa automática à medida que se digitam as palavras. A pesquisa pode depois incidir sobre o motor de pesquisa preferido (google por omissão) ou sobre o histórico de páginas que já percorremos.
  • Quando se abre um novo separador vazio é apresentado o "ranking" de páginas que mais visitámos e pesquisas por nós realizadas.
  • Possibilidade de navegar num separador sem que o histórico de visitas fique registado (apenas nesse acesso).
  • O Google Gears já vem incluído o que faz com que aplicações como o MySpace que guardam informação localmente funcionem imediatamente sem necessidade de instalar mais uma peça de software adicional.
  • Faz uma pesquisa automática numa lista de sites potencialmente perigosos (mantida pela google) e quando a eles tentarmos aceder somos imediatamente avisados.

O interface parece algo pobre, mas após várias horas de utilização dei comigo a pensar que para aceder à web não preciso de mais.
A excelente qualidade desta versão experimental é outra surpresa. Também tem explicação : Usaram os milhares de computadores que têm e as listas de sites mais acedidos para testar automaticamente cada versão milhares de vezes.

Também fiquei contente por ver que a tradução para Português Europeu foi contemplada logo na versão experimental. Não temos de "levar" com a versão Brasileira durante meses (como faz a microsoft).
Existe por enquanto apenas disponível para windows, mas parece que as versões para linux estão a caminho, o que abre a possibilidade de vir a fazer parte de inúmeros sistemas embebidos como "media-centers" e "set top boxes" que por aí andam. Ainda não percebi se estão ou não a tentar que venha a funcionar em telemóveis.

Finalmente é de realçar que se trata de uma aplicação disponibilizada em "open source". Desta forma, para além de ninguém ficar "agarrado" ao produto da Google, a concorrência pode ir "espreitar" e também inovar.

Podem fazer o "download" aqui.

Quem quiser saber um bocadinho mais pode sempre ver esta excelente BD que eles criaram.

Experimentem. Vale mesmo a pena.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Quando as coisas correm mal...

Tenho esta mania. Acho divertido quando um sistema informático não faz o que devia. Desde que eu não tenha estado envolvido na sua criação, claro. ;-)

E como os telemóveis agora têm câmaras fotográficas, vou coleccionando casos. Na vaga esperança de que os leitores deste blogue também achem piada à coisa, vou passar a publicar aqui alguns.

Este que aqui mostro hoje ocorreu num hospital privado. Mas podia acontecer num do SNS. Porque as aplicações mal-comportadas não olham ao recibo do vencimento. :-)

Alguém podia ter poupado algum embaraço com mais uns testes à combinação do browser com o Flash!




Nota posterior: 3 semanas depois voltei ao mesmo sítio e o écran estava na mesma

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

O novo Código das Compras Públicas

É um tema que não toca só à indústria das TI mas, considerando que o Estado representa cerca de 20% do negócio da nossa indústria, vale a pena referi-lo aqui.

Entrou finalmente em vigor o Código dos Contratos Públicos (CCP), "que estabelece a disciplina aplicável à contratação pública e o regime substantivo dos contratos públicos que revistam a natureza de contrato administrativo" (esta última parte da frase deve ser importante porque é repetida várias vezes no texto). Trata-se do Decreto-Lei 18/2008, um texto de 100 páginas de densa prosa legislativa, que está a causar algumas "dificuldades" a quem compra e a quem vende para o Estado.

Pondo de parte a modéstia, os legisladores anunciam imediatamente que se trata de "um importante marco histórico na evolução do direito administrativo nacional". Que apesar de tudo não deixa de estar, nalguns casos "em sintonia com a melhor tradição portuguesa". Ficamos com um nó no estômago.

No meio da introdução, informam-nos que se reduz o número de procedimentos pré-contratuais, o que é sempre bom (esperemos que, abdicando neste caso da melhor tradição portuguesa, não se tenha caído na tentação de complicar os que restam, ao mesmo tempo). Assim sendo ficaram apenas os seguintes procedimentos:
  • ajuste directo,
  • negociação com publicação prévia de anúncio,
  • concurso público,
  • concurso limitado por prévia qualificação e
  • diálogo concorrencial.
A meio do texto surge uma lamentação inesperada: "(...) o legislador nacional surge à partida condicionado pelas directivas comunitárias (...) restando, por isso, uma reduzida margem de opção legislativa". Felizmente. ;-)

Foi por confessa influência comunitária que o CCP introduziu o conceito de "diálogo concorrencial", coisa que os bons compradores fazem desde sempre, mas que não era formalmente permitida para as compras públicas. Apesar de ser uma garantia de melhores compras (e isso, nas compras públicas, é do interesse de todos nós), quem usava este método tinha que o fazer às escondidas. Outra novidade interessante é o "leilão electrónico", que permitirá aos concorrentes "afinar" as suas propostas em função das propostas concorrentes e de parâmetros objectivos e quantificados que deverão ir para além do preço.

Ao longo do texto observam-se várias referências a procedimentos electrónicos e à necessidade de os utilizar, em particular durante a tramitação pré-contratual, para simplificar o processo e encurtar os prazos. Excelente.

Apesar disto, um leigo que olha pela primeira vez para este Decreto-Lei não pode deixar de se arrepiar. Vejam este excerto:



E ainda há quem se queixe dos informáticos? A mim parece-me que os legisladores têm bastante mais que aprender sobre user-friendliness. Há quem sugira que, ao complicar a vida aos leigos, os juristas estão apenas a justificar a sua existência. É curioso que também se diz o mesmo do pessoal das TI...

terça-feira, 29 de julho de 2008

Uma nota sobre Randy Pausch, fundador do projecto Alice

Randy Pausch, fundador do projecto Alice, faleceu vítima de cancro no pâncreas com 47 anos de idade. Professor de Carnegie Mellon, deu a sua última aula em 17 de Setembro de 2007, quando os médicos já só lhe davam 3 a 6 meses de vida. Nas suas próprias palavras, o projecto Alice era a sua herança profissional.

O projecto Alice é uma forma inovadora de ensinar programação. É um ambiente de programação em 3D que facilita a criação de animações interactivas para contar histórias, jogar um jogo ou criar um um vídeo para partilhar na Internet. Alice é uma ferramenta de ensino para a introdução à programação. Usa gráficos 3D e um interface drag-and-drop para que o aluno tenha uma experiência de programação mais envolvente e menos frustrante. O objectivo do projecto Alice é revolucionar a forma como se ensina e aprende os conceitos básicos da programação. A equipa do projecto desenvolveu adicionalmente conteúdos para estudantes e professores, incluindo manuais, lições, bancos de testes, etc. (e a versão 3, que está na forja, será compatível com a plataforma Java).



Na imagem: screenshot do Alice 2.0


"A Última Aula" de Randy Pausch ficou famosa. Deu origem a um livro e foi amplamente divulgada na televisão. O tema foi "Como concretizar os sonhos de infância". É comovedora e surpreendentemente bem humorada (a confissão de "conversão no leito da morte" é só um exemplo). Segundo ele mesmo escreveu mais tarde, foi uma aula pensada para os seus filhos (de 2, 3 e 6 anos), mas acabou por ser uma inspiração para milhões através do Youtube. Pode ser encontrada por aí pesquisando "The Last Lecture".




No final do ano passado, pedi ao meu rapaz mais velho (na altura com 12 anos) para comparar 3 ambientes de aprendizagem de programação: o Phrogram (ex-KPL), o Scratch e o Alice. O Alice ganhou, de longe. Obrigado Randy.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Firefox 3 - Record batido: em vez de um foram oito milhões de downloads


Oito milhões e duzentos mil downloads em 24 horas. O record de downloads foi batido com uma margem de 700%! :-)

domingo, 8 de junho de 2008

O Netscape morreu, viva o Firefox 3 (e vamos lá bater o recorde!)

É oficial, desde 1 de Março de 2008. Não haverá mais versões do web browser designado Netscape Navigator. A America Online, actual detentora da marca, desistiu de publicar novas versões porque tem mais em que pensar.

De qualquer maneira as últimas versões do Netscape já não eram mais do que uma reformulação gráfica do Mozilla Firefox.

O Netscape Navigator, geralmente designado apenas "Netscape", foi a incarnação comercial do primeiro browser gráfico para a World Wide Web - o Mosaic. Lançado em 1994, tinha 80% da quota de mercado em 1996. Nessa altura, quando a Microsoft desistiu de ignorar a Internet e lançar o Internet Explorer gratuito e incluído em todos os Windows, o Netscape começou a perder a liderança. Foi por estas e por outras que a Microsoft acabou com um processo em tribunal por práticas monopolistas, mas o estrago já estava feito. A oportunidade comercial dos browsers web estava destruída e a Netscape Communications nunca mais se levantou.

O Netscape foi um produto revolucionário e disruptivo que permitiu o acesso à web a milhões de pessoas. Para além de permitir visualizar o HTML mais recente, que incluía imagens, o Netscape permitia ver o texto enquanto se descarregavam as imagens à estonteante velocidade de 9,6kbp/s - mil vezes mais lenta do que um acesso "normal", hoje em dia.

Mozilla Firefox 3 - Release a 17 de Junho

Mas a guerra dos browsers não terminou. No próximo dia 17, terça-feira, sai a versão 3 do Firefox, que promete ser 4 vezes mais rápida do que a versão anterior e 7 vezes mais rápida do que o Internet Explorer 7. Estes tempos foram obtidos a mostrar uma página complexa como a consulta às mensagens do Gmail.

Entretanto a Mozilla quer bater um recorde do Guiness - o maior número de downloads num só dia. E pede a toda a gente que colabore para bater a marca de 1 milhão de downloads em 24 horas. É daquelas coisas que não custa nada, é só seguir o link:




quinta-feira, 5 de junho de 2008

Empresas nacionais de open source inventariam serviços profissionais

Fonte: ESOP


A ESOP – Associação de Empresas de Software Open Source Portuguesas, organização que tem por objectivo a dinamização de Soluções Open Source em Portugal e a criação de oportunidades e sinergias tanto no mercado como entre os seus associados e parceiros, disponibilizou um directório informativo sobre soluções e serviços na área de software Open Source.

Esta iniciativa surge na sequência de um inquérito interno, promovido pela ESOP às empresas suas associadas, a partir do qual foi criada uma matriz, que resume a oferta deste conjunto de empresas.

A matriz encontra-se disponível para consulta em:

http://www.esop.pt/servicos

e engloba as categorias de produtos / serviços das empresas que responderam ao inquérito.

Desta forma será mais fácil aos futuros clientes e a quem pretenda conhecer fornecedores de tecnologia, soluções e serviços Open Source, saber que empresas existem e que produtos ou serviços têm disponíveis.

A ESOP espera com esta iniciativa contrapor definitivamente a ideia de que não existe apoio profissional para as soluções de software Open Source, promovendo um acesso mais fácil às organizações.

Estão planeadas, a curto prazo, outras iniciativas com o objectivo de informar o mercado das melhores soluções disponíveis, que serão brevemente comunicadas.

A ESOP e os seus Associados têm em curso diversas acções no sentido de promover e desenvolver a utilização crescente destas tecnologias, a par do crescimento continuado e sucesso crescente que as Soluções Open Source têm conseguido a nível mundial.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Em directo do 2º Meeting do PT.JUG

Decorre neste momento no auditório do Complexo Multidisciplinar do IST o 2º Meeting do Grupo Português de Utilizadores Java (PT.JUG).




Cerca de 60 pessoas da comunidade nacional de Java juntaram-se para trocarem conhecimento sobre tecnologias e projectos. Estão previstas 3 apresentações sobre os seguintes temas:

  • Fenix, Uma aplicação web com uma arquitectura não-standard (João Cachopo)
  • Interoperabilidade de Web Services com Metro e WCF (Paulo Traça)
  • Scripting na JVM, Maior produtividade para a plataforma Java ? (Miguel Duarte)



Está previsto que a reunião termine com um jantar de pizza e cola, patrocinado pela Atlassian. Serão também distribuídos alguns brindes da Atlassian e serão sorteadas licenças do InteliJIDEA entre os presentes no final da sessão.

As apresentações serão disponibilizadas posteriormente em vídeo e PDF através da mailing-list do PT.JUG

sábado, 24 de maio de 2008

A irresistível ascensão do software open-source

Nas últimas semanas têm vindo a lume diversas notícias que confirmam os piores receios de uma boa parte da indústria de software: a parte que baseia a sua existência no pagamento de licenças de utilização. O software de código aberto continua a sua ascenção e a tendência é para acelerar.


Poupar é um hábito difícil de largar

Cinco anos de pesquisa sobre as tendências de adopção do open-source permitem a Jim Johnson, do Standish Group afirmar: "O Open Source está a pôr o mercado de software de pantanas. (...) Representa uma perda real de rendimentos de 60 mil milhões de dólares para as empresas de software".
Este dinheiro não desapareceu simplesmente. Foi dinheiro poupado, que pôde ser investido noutras áreas ou aumentou o lucro das empresas. E, embora este valor seja apenas 6% do valor estimado do mercado de software, a verdade é que, sabendo isto, as organizações procurarão aumentar ainda mais as poupanças daqui para a frente.


Analistas recomendam redução de preços de licenças


Ainda há quinze dias, o editorial do Semana Informática fazia referência a esta questão, noticiando que analistas de mercado como a IDC e o Gartner Group estão a aconselhar as empresas de software a reduzir as suas margens de licenciamento, por forma a garantir a sua sobrevivência a longo prazo. Aparentemente, os compradores estão a aperceber-se de que pagam demasiado caro pelo direito a usar software proprietário. E provavelmente começam a fartar-se de alimentar as obscenas fortunas de alguns bilionários da indústria.


Não é só pelo dinheiro

Ao contrário do que se possa pensar, muitas organizações adoptam open-source por outros motivos para além do custo das licenças. Até porque já há muito tempo se sabe que o custo das licenças é apenas uma parte relativamente pequena do custo total dos sistemas informáticos. Entre os argumentos principais para a adopção de software open-source destacam-se: a independência do fabricante, a facilidade de adaptação e a segurança.


Afinal, quem é que manda nos meus ficheiros?


Uma derrota exemplar do software proprietário acaba de ser concedida pela Microsoft que, após vários anos a impor os formatos proprietários do Office, finalmente anunciou que vai passar a suportar o ISO 26300, mais conhecido por OpenDocument. A decisão de adaptar o Office para ler e escrever ficheiros neste formato standard, que já existe desde 2005 e não está sujeito a qualquer tipo de patentes, foi provocada pela crescente pressão de utilizadores preocupados, que começavam a perguntar-se se iriam estar eternamente dependentes de um único fabricante para aceder aos seus dados.


Open-source é factor diferenciador competitivo

Mark Driver, do Gartner Group, afirma que "(...) as organizações usarão projectos open-source estáveis como factor de diferenciação competitiva em relação a empresas que se recusam a aceitar que o open-source já está pronto para o mundo empresarial". Há já vários anos que produtos como o Linux, o Apache, o MySQL, o OpenOffice, o JBoss e muitos outros são usados em ambiente empresarial com grandes vantagens para as organizações.


Pagar o valor justo

Empresas de TI como a IBM, a Sun, a HP e muitas outras já perceberam há vários anos que podem ser viáveis num mundo em que as licenças de software são gratuitas e o código é aberto. As organizações utilizadoras começam a acreditar que o open-source, para além de lhes permitir poupar dinheiro, lhes dá outras vantagens competitivas. A menor das quais não será certamente, a possibilidade de mudar de fornecedor sem pôr em risco o seu sistema de informação.

O movimento open-source vem trazer, afinal, uma maior transparência ao mercado das TI, onde o cliente compra o serviço e paga o valor justo, em vez de estar permanentemente a pagar pelo simples facto de "estar na mão" do seu fornecedor.

É por isso que o movimento open-source é imparável.

sábado, 10 de maio de 2008

Conferência Europeia da Comunidade Alfresco


Já foi há quase quinze dias, mas julgo que ainda será relevante abordar a Conferência Europeia da Comunidade Alfresco, que decorreu em Barcelona no dia 22 de Abril. Com uma audiência de mais de 200 pessoas (a sala reservada estava cheia) vindas de vários pontos da Europa, este evento serviu para que muita gente desta comunidade se encontrasse pela primeira vez face a face.

A Alfresco Inc. é uma empresa recente, que apostou em criar uma solução de gestão documental de topo de gama usando o modelo open-source. Considerando que a empresa, no seu terceiro ano de actividade, já atingiu o break-even, parece ter sido uma boa aposta.

No arranque da conferência esteve John Powell, CEO da empresa, que falou um bocado sobre a excelente evolução da empresa e abordou a "guerra" entre o modelo de negócios proprietário e o modelo de código aberto. Exemplificou este conflito com o Microsoft SharePoint, que ele designou como "a morte da escolha", justificando o epíteto pelo facto de este produto levar subrepticiamente as organizações a adquirir licenças para quase todos os produtos importantes da Microsoft, de modo a ficarem totalmente bloqueadas e dependentes de um único fornecedor.

Em seguida falou John Newton, CTO, que continuou a falar das vantagens do modelo de código aberto e de como a existência deste modelo já permitiu às empresas de todo o mundo poupar seis mil milhões de dólares em licenciamento de software. Anunciou também que é objectivo da empresa transformar o Alfresco num "Sharepoint killer". Isto é: eles pretendem que o Alfresco seja uma alternativa open-source ao produto da Microsoft, com a vantagem de ser totalmente independente do sistema operativo, motor de base de dados, servidor aplicacional, etc.. Newton disse também que, embora o Alfresco ainda tenha que evoluir em termos de ECM (Enterprise Content Management - que só 10% das empresas usam, actualmente), a grande oportunidade está no WCM (Web Content Management), e no "social networking", que será a base das ferramentas de trabalho dos "knowledge workers" no futuro.

Na sessão de perguntas e respostas que se seguiu a esta intervenção, foi também abordada a recente benchmark realizada pela Unisys, em que um repositório Alfresco foi carregado com mais de 100 milhões de documentos sem que tivesse havido degradação significativa no desempenho da sua utilização. Curiosamente, e apesar de o Alfresco estar preparado para correr em modo cluster, esta benchmark foi executada numa única máquina.

Das várias apresentações que se seguiram, destaca-se a que abordou a versão 3 do Alfresco. Várias novidades estão previstas nesta versão, a começar por um interface web totalmente redesenhado recorrendo a Web Scripts e componentes Flash, para maior funcionalidade e interactividade. Outra novidade é que o site da comunidade Alfresco irá passar a conter um repositório de componentes visuais, feitos com Web Scripts, e será possível instalá-los ou actualizá-los de forma automática a partir do próprio interface Alfresco. Algo que é parecido com os sistemas de instalação de plugins que já se vão vendo em muitos projectos. Outra novidade importante é que a versão 3 irá implementar os protocolos de rede do Sharepoint, permitindo que o Alfresco seja usado em sua substituição.

Outra apresentação de destaque foi a da Junta da Andaluzia que para além de usar essencialmente software livre em todos os novos projectos ("o que é pago com dinheiro público deve ser público") acabou de assinar um contrato de 1,3 milhões de euros com um parceiro local da Alfresco, para prestar serviços de apoio continuado para os muitos repositórios documentais que já gerem com este software.

A seguir ao almoço, foi demonstrada a nova forma de redesenhar o interface web à medida: o Alfresco Dynamic Website é uma aplicação que permite "compor" o interface com componentes visuais criados com Web Scripts e que integra totalmente com as ferramentas de WCM existentes. Esta aplicação está já disponível na versão 2.2 Enterprise e irá também ser integrada na versão 3 Community.

Outra novidade é que o plugin para integração com o Open Office, semelhante ao já existente para o Microsoft Office, está a ser ultimado por um parceiro Alfresco da Alemanha e irá ser disponibilizado à comunidade no final do mês de Maio.

Houve também uma apresentação muito interessante de um UI alternativo, o OPSORO, feito por um jovem alemão durante um fim de semana, usando EXT-JS. Impressionante.

Enfim. Foi uma viagem que valeu a pena, não só pelo interesse das apresentações mas também para tomar o pulso ao dinamismo da comunidade europeia de Alfresco. Foi pena que, em mais de duas centenas de pessoas, só quatro fossemos portugueses. Pode ser que para o ano que vem sejamos mais. ;-)

sexta-feira, 9 de maio de 2008

IPTV ainda deixa bastante a desejar

A televisão distribuida por IP, que já está a ser comercializada por algumas empresas em Portugal, ainda não consegue ter a mesma qualidade que o sinal analógico.

A diferença na largura de banda disponível numa linha telefónica ADSL e num cabo coaxial é demasiado grande e, por causa da elevada compressão das imagens na IPTV, há muitos pormenores que se misturam e perde-se algum detalhe. Para exemplo, vejam-se as duas imagens que se seguem, que comparam um sinal de IPTV com um sinal analógico, na mesma televisão.


Figura 1- imagem capturada com sinal IPTV (sobre ADSL)


Figura 2- imagem capturada com sinal analógico (sobre cabo coaxial)


Para além dos problemas com imagens estáticas há também problemas com as imagens em movimento. A excessiva compressão, necessária pela "reduzida" largura de banda do ADSL, provoca distorção nas cenas mais agitadas e inclusivamente algumas frames perdidas.

Como pequena compensação há os serviços digitais que as SetTopBoxes oferecem, com destaque para o Guia de Programas, este com muitas limitações pela sistemática alteração que os canais fazem à programação anunciada.

Enfim, esperemos que o Digital continue a evoluir e que a qualidade consiga atingir as expectativas criadas. E esperemos também que ninguém se lembre de fazer as contas aos quilogramas de CO2 libertado para a atmosfera por termos mais um aparelho em standby em casa, só para gravar mais um episódio do House. ;-)

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Microsoft tem (mais uma) visão

Da última vez que estes tiveram uma "visão" seguiram uma estratégia (conhecida como "abraçar e estender" ou mais precisamente "abraçar, estender e extinguir"), que teve como consequência um bom atraso no desenvolvimento web de cerca de 10 anos ou mais, sendo o melhor exemplo a "destruição" da Netscape, cujo Navigator há cerca de 10 anos atrás já suportava comunicação "push" sobre http, semelhante ao que é agora (depois de tantos anos) conhecido como "Comet" (original aqui).

Portanto, esta nova visão é provavelmente a mesma "abordagem" para lidar com a Google e, provavelmente, mais 10 anos de recessão, se conseguirem ...

Já para não falar do que irá ser a partir de agora conhecido como Norwegian Consensus, que só por si merecia um outro "post" talvez com a "etiqueta" de "humor", para não ofender ninguém...

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Linux 2008 - Entre o rabo de cavalo e o fato completo


Estive hoje no Linux 2008, evento dedicado ao open-source e organizado pela parceria Sybase/Caixa Mágica. Foi um evento interessante, com uma audiência bastante heterogénea. Daí o título do post. O cariz das apresentações foi bastante orientado para o negócio, como se poderia prever pelo facto de todos os presentes na mesa estarem de fato e gravata, com a honrosa excepção do "evangelista" da Red Hat, que veio de camisa branca e chapéu vermelho.

Confesso que gostei de ver a apresentação da Caixa Mágica. Não que tivesse qualquer informação técnica interessante mas porque dá gosto ver uma empresa enérgica e bem sucedida com um modelo de negócios baseado no software livre. É possível, no entanto, que uma parte da audiência tenha achado o conteúdo demasiado focado no marketing. Mas enfim, é a prerrogativa de quem paga o almoço. :-)

Uma novidade interessante é o anúncio de um Mestrado do ISCTE em Open-Source, que demonstra que as Universidades começam a dar importância a este modelo. Claro que, na verdade, já várias Universidades baseiam a maior parte do seu ensino em tecnologia desta, mas o facto de se fazer um curso de mestrado dedicado merece relevo.

Também foi notícia a expansão da ESOP, que conta com um grupo de novos associados a partir de hoje. Esta associação empresarial teve também uma forte presença no evento e aproveitou para assinar publicamente um protocolo com a Agência para a Modernização Administrativa, representada pela Dra. Anabela Pedroso.

O CEO da Mandriva fez uma apresentação muito interessante sobre as perspectivas de evolução do Linux no LCPC (Low Cost PC), um novo conceito de PC em que se destacam o Asus Eee PC, o OLPC e o Intel Classmate PC. Segundo ele, nesta nova geração de PC de baixo custo o Linux será o sistema operativo de eleição, já que o custo de licenciamento das alternativas proprietárias teria um impacto demasiado alto no custo total do equipamento. Isto é: mesmo que o sistema operativo fosse vendido a $40, numa máquina de $100 teria um peso demasiado alto.

O evangelista da Red Hat fez também uma excelente apresentação sobre o conceito de standards abertos, explicando que é política da Red Hat trabalhar exclusivamente com standards que não obriguem ao pagamento de royalties, ao contrário do OOXML, da Microsoft, que só pode ser usado livremente se não for em projectos comerciais.



A questão das patentes, dos royalties e dos standards abertos deu, como seria de esperar, alguma celeuma na altura do debate da manhã. Até porque a Microsoft respondeu positivamente ao convite da organização e enviou um delegado à reunião. Há que lhe louvar a coragem, porque não é fácil estar numa sala onde a maior parte dos presentes não nutre simpatia pela sua mensagem, para não dizer pior.

Da parte da tarde o foco foi mais sobre certas tecnologias e case studies. Em termos de software destacaram-se o Scalix, Joomla e o KnowledgeTree. E em termos de case-studies destacaram-se a PSA, o INE e o SAPO.

Esperemos então que no próximo ano este evento continue e que nos traga ainda mais informação sobre o que se faz com software livre em Portugal e no resto do mundo.