segunda-feira, 31 de março de 2008

"Porque é que nas TI é este caos?"

Um leitor anónimo deixou esta dúvida existencial, e pede para lhe tentarmos responder:
"Sendo que as TI lidam muitas vezes com assuntos de elevada responsabilidade, como saldos bancários, impostos, cobranças, porque é que "virtualmente" qualquer pessoa pode trabalhar em TI desde que "desenrasque" o serviço?

Um contabilista, um electricista, um arquitecto e tantos outros é-lhe exigida legalmente uma certificação para exercer a sua profissão.

Porque é que nas TI é este caos?"

Vamos lá então responder. Por onde começar? :-)

A imaturidade da indústria

Como se poderia certificar legalmente um informático? Com que standards? Com que tecnologias? A verdade é que as TI são uma indústria de poucos consensos. Mas há boas razões para isso. Nas TI "o pó ainda não assentou" e não parece que vá assentar rapidamente. A indústria é recente (tem cerca de 50 anos) e move-se muito rapidamente. Ao contrário da Arquitectura (milhares de anos), da Contabilidade (cinco séculos), ou da Electrotecnia (mais de um século).

A velocidade da evolução tecnológica

Mesmo que se chegasse a acordo sobre a forma de certificar legalmente um informático (e há milhentas certificações alternativas disponíveis hoje mesmo) dificilmente poderíamos confiar num técnico com uma certificação legal de mais do que um par de anos. Um dos maiores problemas nas certificações das TI é que, das duas uma: ou são duráveis porque são muito teóricas e pouco úteis, ou são práticas e não duram mais do que três ou quatro anos.

A falta de recursos humanos

Outra das grandes razões porque "qualquer um" consegue ser informático (e isto é uma afirmação absolutamente discutível) é simplesmente, porque há pouca gente para a quantidade de trabalho que existe. Claro que também se pode dizer que, se os informáticos trabalhassem melhor não seriam precisos tantos. Mas o mesmo se pode dizer de qualquer outra profissão, não é verdade? ;-)

O risco relativamente reduzido

A verdade é que "saldos bancários, impostos, cobranças" dificilmente se podem comparar, em termos de responsabilidade com "pilotar um avião cheio de gente", "abrir a caixa torácica de um paciente", "construir um edifício público". Convém pormos as coisas em perspectiva. Os informáticos produzem sistemas complexos e que manipulam informações importantes, sem dúvida. Mas os sistemas são testáveis antes de entrarem em produção e só muito raramente um sistema de informação disfuncional provoca mais do que perdas de tempo ou dinheiro. Ora um contabilista é, de uma forma geral um agente do Fisco, e o Estado fica mais descansado se ele for escolhido a dedo. Um electricista pode por-nos a vida em perigo se não fizer uma instalação correcta. E um arquitecto tem que nos dar a todos uma garantia mínima que não vai fazer edifícios que nos caiam em cima.

A iliteracia informática

Os Romanos costumavam dizer, com muita razão "Caveat emptor!"*.

Os compradores menos experientes de serviços de TI oscilam frequentemente entre a confiança cega no poder milagroso "dos computadores" e a desconfiança absurda nos informáticos. A ideia de que as TI são um caos é muitas vezes derivada de expectativas exacerbadas que só podiam conduzir a uma grande desilusão. É claro que os informáticos, com as suas conhecidas dificuldades de comunicação e falhas frequentes em muitas outras soft-skills, não fazem correctamente a gestão das expectativas e são grandemente responsáveis por estas situações.

Mas se as TI fizessem parte do curriculum académico obrigatório de toda a gente, talvez a coisa melhorasse. Quem compra, compraria com mais conhecimento. E quem vende seria melhor avaliado.

O caos que gera a ordem

Apesar da sua "indisciplina", a indústria de TI no seu todo é responsável por uma revolução na forma de viver da Humanidade. O mundo hoje está mais organizado e informado do que nunca. As organizações funcionam melhor. As pessoas aprendem melhor. As notícias correm melhor. E a informação está mais democratizada do que alguma vez esteve na História.

Não é um belo caos? ;-)




*"tem cuidado ó tu que compras"

sábado, 22 de março de 2008

Linux é feio? Já não.

Um dos projectos mais interessantes que surgiu nos últimos tempos no mundo Linux/Open Source é o Compiz Fusion. Trata-se de um projecto destinado a melhorar a navegação entre janelas e desktops (um conceito pouco usado no Windows, mas bastante útil para quem precisa de alternar entre vários contextos complexos) e que aproveita da melhor maneira as melhores capacidades gráficas do OpenGL com um design moderno e muito interactivo.

Resultado da fusão entre os projectos Beryl e Compiz, está já disponível para utilização em várias distribuições Linux, entre as quais o Ubuntu 7.10.

Vejam esta demonstração no Youtube (ou esta) e digam lá se não é bonito. :-)

Como não há rosa sem espinhos, terão que ter uma placa gráfica "decente".

sábado, 15 de março de 2008

Leitura recomendada


O Ludwig Kripphal, no seu blogue KTreta, publicou um excelente post que ilustra as desvantagens do uso de sistemas proprietários versus o uso dos standards, focando o exemplo dos transportes públicos da Holanda e de Lisboa.

É com prazer que se verifica que Lisboa ganha na comparação.

Vale a pena ler "Esfrega, esfrega."

terça-feira, 11 de março de 2008

Comunidade Portuguesa de Alfresco

Alfresco é uma plataforma de gestão documental em open-source baseada em tecnologias Java e standards abertos. Criada por uma equipa liderada por John Newton (co-fundador da Documentum) e John Powell (ex-COO da Business Objects) em 2005, está rapidamente a ganhar uma enorme adopção por parte de organizações de todo o tipo.

Entre as funcionalidades mais importantes do Alfresco:
  • Pesquisas sobre texto livre e sobre metadados
  • Classificação de documentos
  • Histórico de versões de documentos
  • Configuração de acções automatizadas sobre o documento (conversão para outro formato, envio de e-mails de notificação, contadores automáticos e possibilidade de definir acções personalizadas)
  • Acesso via FTP, WebDAV e por partilha de rede, para além do interface original web (alguns dirão 2.0)
  • Definição de meta-informação personalizada para os documentos
  • Configuração de Regras de Workflow
  • Fóruns de discussão sobre os documentos
  • Definição de templates com estrutura e regras
  • Integração com diversas bases de dados
  • Integração com sistemas de autenticação
  • Integração com o Microsoft Office

Em Portugal, à semelhança do resto do mundo, há um número crescente de instalações piloto e algumas implementações já em exploração. O que muitas vezes começa com uma instalação experimental transforma-se rapidamente, com um investimento mínimo, num projecto viável de arquivo, indexação e tratamento de documentos.

A partir daí, as coisas podem complicar-se. No bom sentido.

Quem tiver tempo e disponibilidade pode usar o Alfresco para gerir as várias versões dos documentos, gerir workflows, gerir meta-informação documental, etc. O Alfresco pode ser "costumizado" em termos de interfaces e funcionalidade. E quem não o tiver pode recorrer a um crescente número de empresas que dão apoio técnico à sua utilização.

Entre outras distinções, o Alfresco já ganhou o BOSSIE Award para a categoria de Content Management em 2007, ficando à frente de grandes referências como DotNetNuke, Drupal, Joomla, e Plone. Os factores decisivos foram a facilidade de utilização, funcionalidades, segurança, escalabilidade e ferramentas de gestão, assim como o dinamismo da comunidade e a organização que lhe dá suporte.

Desde há uns meses para cá existe já no Alfresco Forge (um repositório de projectos complementares ao Alfresco) um projecto para a tradução do Alfresco para Português de Portugal.

Criou-se agora a Alfresco Portuguese Community, formada por gente interessada nesta plataforma. Este grupo tem por objectivo partilhar informação técnica sobre o Alfresco para aumentar a visibilidade do Alfresco e para facilitar a sua implementação nas organizações nacionais.

Se a gestão documental é uma área que vos interessa, juntem-se à comunidade.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Grupo de Utilizadores de Java realiza 1º Meeting

A Plataforma Java é, provavelmente, o conjunto de tecnologias mais utilizado actualmente no mundo inteiro para produzir sistemas de informação de nível empresarial. Embora seja utilizada em larga escala nas TI portuguesas, nunca houve, até há pouco tempo, uma associação de profissionais especializados nestas tecnologias. Essa lacuna está nesta altura colmatada com o PT.JUG - Grupo Português de Utilizadores de Java - que conta já com mais de 200 membros de todo o país e alguns do estrangeiro.

Como previsto, o 1º Meeting do PT.JUG realizou-se no passado dia 6, no Hotel Prícipe, em Lisboa. O Meeting reuniu cerca de 50 profissionais de TI que utilizam a Plataforma Java no seu dia-a-dia. Este primeiro evento do PT.JUG teve o patrocínio da Sun Microsystems.

A reunião decorreu num ambiente bastante informal e agradável. Depois de algumas palavras boas-vindas dos líderes eleitos do JUG e do patrocinador, houve três apresentações que conjugaram temas técnicos com assuntos mais gerais. Falou-se das competências necessárias na profissão, da utilização do Terracota e da utilização do GWT. Pelo meio ainda houve tempo para beber um café ou chá, comer uns biscoitos e conversar um bocado.



As apresentações, em PDF, estarão disponíveis em breve a partir do site www.java.pt.


(foto de Hugo Palma)