terça-feira, 27 de março de 2012

Diplomados em informática caem para menos de metade

Imagem: MIT
Segundo esta notícia do Negócios Online, Portugal perdeu, em apenas quatro anos, mais de metade dos alunos de informática. Entre 2005 e 2009, a percentagem de diplomados nesta área terá descido de 5,1% para 1,7%.

Estes números foram compilados pelo Eurostat, que os produziu após análise dos estudos universitários no espaço da União Europeia a 27.

A segunda maior queda terá sido no Reino Unido, onde a percentagem de diplomados em informática desceu de 5,9% para 4%.

A média europeia da percentagem de diplomados em informática é de 3,4%.

A notícia não refere, mas seria interessante comparar não só a informática mas todos os cursos de ciência e tecnologia. Não será de espantar que o mesmo se esteja a passar com outros cursos deste género.

Entre a redução do número de diplomados e a emigração dos informáticos mais competentes nada de bom se augura à capacidade das TIC nacionais para competir a nível global, nem mesmo se apenas se dedicarem ao mercado lusófono.

Ideias, alguém?


segunda-feira, 26 de março de 2012

Subsídios é no QREN, s.f.f. - #pl118

Foto: Gabriela Canavilhas - Deputada do PSA reportagem da TVI que passou no sábado sobre o projecto lei 118 veio reforçar convicção de que há um grupo de empresas nacionais que estão a fazer lobby para obter, com a desculpa da cópia privada, uma compensação pelas perdas "derivadas da pirataria".

O "problema da pirataria" é, na realidade, um problema de posicionamento estratégico das empresas. Não há negócio quando não há valor para o cliente. O que as editoras estão a tentar fazer é prolongar a facturação por serviços que os seus clientes deixaram de valorizar da mesma forma. A "pirataria" existe por que a tecnologia actual permite realizar o "milagre da multiplicação" praticamente sem custos, o que torna irrelevante o negócio da cópia e distribuição.

Está assim cada vez mais claro o que se pretende: angariar um subsídio anual de 6 milhões de euros para o sector editorial, com revisão anual da lei para garantir que o subsídio não falhe mesmo que apareçam novas tecnologias. Um subsídio que será pago maioritariamente por por todas as empresas e profissionais, ao adquirirem material informático para armazenamento de dados.

Por mais que achemos que os subsídios possam ter um efeito positivo na dinamização ou renovação de certos negócios, não podemos aceitar que este subsídio seja atribuído assim. Se as editoras querem subsídios devem, como toda a gente, ir bater à porta do QREN.








quinta-feira, 22 de março de 2012

Parasitagem III - #pl118

Segundo notícia do Público, o Partido Socialista retirou a Proposta de Lei 118/XII para a rever e apresentar nova versão. Nenhuma novidade aqui. O processo continua, como anunciado anteriormente pela Deputada Gabriela Canavilhas

O que o Partido Socialista irá propor, mesmo com as alterações previstas, é inaceitável, por diversos motivos:
  • Inflacionará custos da informática empresarial: porque pretende aplicar uma taxa demasiado abrangente, que deveria incidir apenas sobre tecnologias de usufruto (áudio, vídeo); taxar armazenamento é tão absurdo como a taxar electricidade ou comunicações
  • Prejudicará competitividade empresas TI nacionais: taxação nacional dá vantagens a empresas estrangeiras:
    • Empresas de TI que importam equipamentos terão concorrência agravada por parte de empresas que operam no estrangeiro e não serão taxadas nas vendas directas para outros países - o que provocará uma situação semelhante ao que acontece na venda de combustíveis perto da fronteira espanhola, com a diferença de que afectará todo o território e não só as regiões fronteiriças
    • Empresas de TI que exportem os seus serviços verão os seus preços agravados artificialmente pela taxação, perdendo terreno para outras que operem em territórios não sujeitos a esta taxa
  • Enormes custos na cobrança: o esquema de responsabilidade de pagamento que é proposto dilui a responsabilidade pelos vários actores da cadeia de fornecimento, criando a necessidade de investir em sistemas de gestão mais complexos do que os do IVA. Não só as empresas de TI serão afectadas. Os próprios beneficiários da taxação terão tantos custos com a gestão das cobranças e dos litígios que os benefícios serão em grande parte absorvidos pela gestão e nunca chegarão aos destinatários
  • Burocracia legislativa: a proposta de revisão anual ou bianual da lei só serve para dar mais trabalho a assessores e juristas, não trazendo qualquer valor para a economia nacional; é mais um caso da enorme burocracia legislativa que sufoca a nossa sociedade
  • Objectivo inaceitável: apesar de o projecto-lei abordar formalmente a "cópia privada", os seus promotores têm vindo a admitir, de forma mais ou menos expressa, que o objectivo é compensar as perdas que as editoras têm tido nos últimos anos; estas perdas dizem, são por causa da "pirataria", mas o que não referem é que as perdas são também provocadas pela globalização e pela concentração do negócio editorial em multinacionais como a Apple/iTunes; assim sendo, é absolutamente inaceitável que se utilize o conceito de "cópia privada" para, artificialmente, subsidiar um sector empresarial que não soube acompanhar a evolução tecnológica, a evolução dos mercados e, mais importante, a evolução do interesse dos seus clientes.

Esta parasitagem do sector económico das editoras sobre o sector económico da informática não pode ser aceite. Estejamos atentos.

(e não se esqueçam de assinar a petição e divulgá-la)

terça-feira, 20 de março de 2012

Contra a Taxa Canavilhas

Aderimos à campanha "Não à Taxa", que procura convencer a nossa Assembleia da República a não aprovar a Taxa Canavilhas.

O Projecto-Lei 118/XII é uma tentativa de cobrar dinheiro a quem não o deve pagar e entregá-lo a entidades opacas que representam organizações que vivem de um negócio ultrapassado pela realidade tecnológica.

Sugerimos a todos que assinem a petição "Impedir a Taxação da Sociedade da Informação" e que a divulguem pelos vossos amigos e conhecidos.

Dois excelentes índices do que se tem dito sobre este projecto de legislação pode ser encontrado aqui (blogues) e aqui (imprensa).